quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Secret Garden | Página 43 | Capítulo 8

Me levantei e fomos até a cozinha. Ele abriu a geladeira e um cheiro peculiar saiu de lá de dentro. Afundou seu rosto e voltou com uma caixa de pizza.


“Tem pizza” ele abriu a caixa, analisou e então fez uma careta “Acho que ela está congelando aí faz algum tempo...” devolveu a caixa e observou a geladeira por mais um tempo “Não tem muita coisa” ele fechou a geladeira e olhou para mim “Acho que há algo nos armários” ele abriu um armário que ficava ao lado do fogão, lá eu pude ver uma caixa de cereal “Ahá!” ele pegou a caixa e colocou sobre a mesa. Abriu outro armário e pegou uma tigela, depois abriu a geladeira e pegou um vidro de leite, colocou os dois em cima da mesa.

“Não é um banquete, mas te garanto que é bom” disse ele defendendo o cereal.

Ri e me sentei para comer. Ele se apoiou no fogão e ficou apenas observando.

“Você não vai se servir?” perguntei.

“Não, eu comi faz pouco tempo”

Dei de ombros é me servi. O cereal estava com o gosto normal, devo admitir que senti uma pontada de medo em comer algo depois de sentir o cheiro e imaginar o estado que aquela pizza estava.

Carter se sentou de forma relaxada na cadeira que ficava de frente para a minha. Era meio constrangedor vê-lo me observar comer. Coloquei uma mão na frente da tigela para que pudesse bloquear a visão dele, o que o fez rir.

“Tudo bem, eu fecho os olhos” e logo o fez “Estou com um pouco de sono mesmo...” um sorriso brincava em sua boca.

Balancei a cabeça fingindo indignação.

“Carter, que falta de educação! Ainda mais vindo de um britânico, impressionante” balancei a cabeça novamente “Não é assim que se trata uma visita”

Ele não conseguiu conter os risos, e não abriu os olhos.

Sem o olhar dele, até que comer sozinha se tornava menos constrangedor. Terminei de comer o cereal rapidamente e levei a tigela e a colher até a pia, comecei a lavar e Carter finalmente abriu os olhos.

“O que você está fazendo?” perguntou ele revoltado.

“Lavando minha sujeira...?”

“Não, pare com isso” disse ele severo, se levantou e tentou tirar a tigela de minhas mãos. Por um segundo cheguei a acreditar que ele estava mesmo bravo comigo “Vamos Alice, me dê isso” ele tentava pegar a tigela, mas eu estava segurando forte e me esquivando dele enquanto ria. Logo ele se rendeu aos risos também, mas não desistiu.

Nunca soube por que, mas sempre que começava a rir acabava ficando fraca, principalmente em momentos como esse que precisava da minha força. Então tive que arrumar outra arma, aproveitei a torneira ainda aberta e fiz uma concha com a mão de baixo do jato de água que jorrava. Joguei nele o pouco de água que consegui acumular, o que o paralisou de surpresa.

A água caiu na sua testa, pegando parte dos seus cabelos loiros e desgrenhados que eram de certa forma longos, não chegavam a alcançar os ombros, mas, ao que parecia, os fios eram maiores do que os de Margot, por exemplo. Eu gostava do cabelo de Carter, aparentemente ele não dava a mínima para seus cabelos, mas já tive alguma vontade de tocar neles, – como agora - pareciam cheirosos e macios.

Ah meu deus, que droga eu estou pensando? Acabei rindo mais ainda com essa obsessão momentânea pelos cabelos de Carter.

Ele começou a jogar água em mim, muito mais do que eu havia jogado nele. Ainda com o pensamento de cabelos na cabeça me lembrei de que meus fios poderiam não resistir a essa água, então seria: adeus fios lisos, olá cabelo ondulado. Tinha gente que gostava do meu cabelo de qualquer jeito, mas eu não gostava dele ondulado, parecia que eu estava desarrumada, ou algo do tipo, mas dei de ombros, eu estava me divertindo muito, coisa que não acontecia há tempos.

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