Eu poderia apertar um número aleatório no interfone, mas provavelmente ficaria envergonhada demais se fosse o errado – e as chances disso acontecer eram as mais prováveis.
Poderia perguntar a algum dos grafiteiros, mas isso também me deixaria um tanto envergonhada. Me imaginei fazendo cada uma das opções, e decidi que perguntar aos grafiteiros seria melhor.
Me aproximei de um deles que apenas fumava com a lata de spray na mão e observava o outro trabalhar. Limpei a garganta e perguntei:
“Por favor, sabe se esse é o prédio de Carter...” Carter o que? Ah meu deus, eu nem sabia o sobrenome dele, - se sabia, não conseguia me lembrar de jeito nenhum – mas já sabia tanto sobre a vida dele “Carter.” Completei a frase de forma idiota. E essa nem era a pergunta certa a se fazer, mas pensei que assim faria com que eu me parecesse menos incompetente.
O cara – que tinha um piercing de argola enorme no nariz e parecia só ter cabelo na extremidade superior da cabeça – arqueou uma sobrancelha.
“É sim, quarto andar. Quem é você mesmo?”
Já me surpreendeu ele saber quem era Carter, fiquei mais surpresa ainda quando ele quis saber quem eu era.
“Sou Alice, uma amiga dele”
“Aham” ele me analisou de cima a baixo com um olhar hostil, o que me deixou com um certo medo.
Agradeci tentando sorrir e fui para a porta do prédio. Haviam quatro números do quarto andar no interfone, um deles tinha um asterisco desenhado ao lado, resolvi apertar esse. Se fosse o errado, eu acabaria passando pelas duas formas vergonhosas de tentar saber qual era o apartamento dele.
Depois de algum tempo alguém atendeu.
“Carter?” perguntei insegura.
“Sim, quem é?”
“Alice” dei um meio sorriso aliviado mesmo sabendo que ele não poderia ver.
“Só um minuto, vou descer até aí”
Ouvi o barulho do interfone sendo colocado no gancho e esperei por ele. Minhas mãos estavam congelando, então as coloquei dentro dos bolsos da blusa. Eu deveria ter pegado uma luva, ando me esquecendo de algumas peças essenciais aqui.
Escutei a porta sendo aberta com um rangido alto. Sorri para Carter, ele me respondeu com um sorrisinho.
“Vamos, entre, você deve estar congelando aí”
“Só um pouquinho” disse e entrei.
O prédio por dentro era escuro, apenas com algumas janelas iluminando. Subimos as escadas em silêncio, chegando ao andar dele eu já estava bastante cansada. A porta já estava aberta, entramos.
O apartamento não era grande, mas estava até arrumado. A cozinha e a sala eram uma coisa só, uma mesa com duas cadeiras esatava encostada a parede. Uma grande porta dava para o quarto, que, pelo o que pude ver, tinha uma cama feita com dois colchões, uma televisão, um espelho, uma escrivaninha e outra porta que provavelmente dava para o banheiro. Era bem pequeno, mas era o suficiente para duas pessoas – agora só uma.
“Então, qual o motivo da visita?” ele disse de brincadeira.
Carter parecia bem melhor do que quando ele havia me visitado, acho que ele estava superando as coisas aos poucos.
“Não sei... queria me divertir hoje.”
“Algum plano em mente?”
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário