“Nenhum” olhei em volta e vi em um canto um violão que me fez lembrar da banda de Carter. Olhei de volta para ele com um sorriso interesseiro “Você canta não é mesmo?”
Ele fez que sim com a cabeça.
“Você podia fazer um show particular para mim” isso parecia ter terceiras intenções, mas não tive o objetivo de fazer a frase soar estranha.
Carter deu uma risada, e pareceu assentir.
“É uma boa idéia.”
“Então vamos lá, me mostre seus dons”
Ele pegou o violão com uma mão e minha mão esquerda com a outra, o que foi estranho para mim, mas ele queria apenas tocar em um local mais confortável e queria que eu o acompanhasse.
Nos sentamos na cama e ele colocou o violão em posição.
“Conhece The Kooks?”
Fiz que não com a cabeça me reprimindo mentalmente por ser tão musicalmente analfabeta.
“Vai conhecer agora. Essa música se chama Naive.”
Ele começou a tocar um ritmo alegre nas cordas, o que me deixou maravilhada por sua habilidade, e então ele começou a cantar, o que me deixou mais encantada ainda. Sua voz era bem melhor do que aquela que estava no meu player, era muito boa mesmo. Fiquei paralisada com o que a letra dizia, parecia que ele havia a escolhido propositalmente, e talvez ele realmente tivesse feito isso.
A letra dizia algo como: “Não estou dizendo que isso foi sua culpa, mas você podia ter feito mais”. Se encaixava perfeitamente com meus atos estúpidos no réveillon, e também com minha tentativa parcialmente frustrada de ajudar Carter.
O resto da música também se encaixava de certa forma – tirando a parte dos elogios e coisas de gente que pensa estar apaixonada, porque na letra eu não diria que ninguém está realmente apaixonado, e muito menos na situação real.
Ele terminou a música e eu estava meio boquiaberta e sem reação.
“Gostou?”
Dei umas piscadas para tentar achar alguma palavra boa o suficiente.
“Você é ótimo” essa não era a palavra correta, ele era mais do que ótimo.
“Obrigado” ele deu um sorriso sutil.
Queria perguntar se ele havia escolhido a música propositalmente, mas eu não tinha coragem. Isso traria a tona diversos assuntos complicados demais. Ele parecia estar bem, mas eu preferia não me arriscar.
“Gostei dessa música. Sabe tocar alguma outra dessa banda?” apesar de tudo eu realmente havia gostado da música.
“Claro” ele colocou o violão em posição novamente “Essa se chama Always Where I Need To Be”
Ele começou a tocar, a música era tão alegre quanto a outra e essa exigia um pouco mais de habilidade no instrumento, o que Carter conseguiu mostrar aparentemente sem esforço. Ele parecia se divertir enquanto tocava, acabei me divertindo também, fiz até uma dançadinha com a cabeça que me fez rir depois, ele acabou rindo também.
De repente me dei conta de que eu estava o fazendo feliz, eu estava conseguindo ajudá-lo. Vim pra cá com esse objetivo, óbvio, mas logo quando cheguei aqui acabei me esquecendo disso. Então o segredo era deixar as coisas fluírem naturalmente, sem forçar a barra nem nada.
Ele terminou a música e olhou para mim com um sorriso triunfante.
“Carter, você é realmente muito bom nisso, deve levar sua carreira adiante, aposto que você chega a algum lugar.”
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
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