sábado, 25 de dezembro de 2010

Secret Garden | Página 39 | Capítulo 8

“Quase... não. Na verdade quero que se sinta culpada quando não nos responder. Sei que essa frase é impactante, você se sentirá forçada a responder, tenho certeza.” Ela fez uma pausa, podia sentir seu sorriso triunfante do outro lado da linha “Ah, outra frase impactante: ‘Lady GaGa tocou Speechless para a Rainha Elizabeth II’”


“Essa não foi impactante”

“Claro que foi! Agora toda vez que escutar algo da Lady GaGa você irá se lembrar da Rainha, e consequentemente dos bottons, que te fará lembrar dos e-mails. HAHA!”

Eu estava rindo, rindo incontrolavelmente.

“Caramba menina, o que deu em você?” outro jorro de gargalhadas “Ok, depois dessa sua lógica eu nunca mais vou ver a Rainha ou a Lady GaGa com os mesmos olhos! Sorte sua, por que a Rainha está por todo lugar aqui...”

“Diz aí, eu sou um má-xi-mo!”

“Com certeza!”

Olhei para o relógio na parede, nós estávamos no telefone a um tempo razoável. Ponderei conversar mais enquanto Grazi ria do outro lado da linha, mas me lembrei dos inúmeros sermões que já recebi por contas absurdas. Não faço idéia de como funciona o sistema telefônico aqui, mas não quero que meu pai me dê uma bronca depois de tanto tempo sem ter que escutar algo do tipo vindo dele.

Me despedi de Grazi com o coração na mão, ela me alertou sobre manter contato e então desligou aparentemente de má vontade. Essa conversa havia sido breve, porem boa, muito boa. Me sentia mais alegre e viva, e algo me veio a mente. Sentei no sofá para pensar melhor na idéia.

Bom, parecia uma idéia boa. Uma idéia realmente boa, mas eu não estava completamente confiante, algo poderia dar errado. Mordi o lábio olhando para cima indecisa. Uma voz no meu subconsciente sussurrou para mim: vá sua boba! Levante sua bunda desse sofá e vá fazer algo de legal para alguém! Aproveite enquanto se sente animada e corajosa.

“É, devo fazer isso sim” disse para mim mesma e para as paredes.

Me levantei e fui correndo até o quarto colocar uma roupa descente e pegar um casaco quente. Aproveitei para estrear as galochas que minha mãe havia comprado contra a minha vontade. Até que elas eram legaizinhas com uma estampa floral preta e branca. No meio da confusão que eu apelido de quarto achei um chapéu rosa choking e resolvi usá-lo também. É, eu estava mesmo corajosa.

Peguei as chaves e saí de casa. Lá fora a neve deixava o mundo completamente branco e concretizava minha respiração transformando-a em uma fumaça. Andei pelo caminho que conhecia só pela vaga memória do dia que preferia esquecer - mas quanto mais se quer esquecer algo, mais isso permanece em sua mente, notei isso durante esses dias – felizmente não me perdi e consegui chegar ao meu destino. Na rua, uma lembrança distorcida de policiais e luzes de ambulância começou a perambular por minha mente. Fechei os olhos com força e balancei a cabeça tentando expulsá-la, o que não surtiu muito efeito, então abri os olhos e me foquei no prédio a minha frente, e nas atividades das pessoas a minha volta.

Nas paredes cinza do prédio algumas pessoas faziam um grafitti. O desenho ainda não estava definido o suficiente para imaginar do que se tratava, pareciam apenas linhas brancas com algum sentido abstrato. Sempre imaginei que essas pessoas só trabalhassem com isso a noite com medo de alguma repreensão ou algo assim, mas em Londres esse tipo de arte parecia ser extremamente bem-vinda, estava em todo lugar.

Olhando para o prédio me vi diante de um dilema: qual era o apartamento de Carter?

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