domingo, 16 de janeiro de 2011

Secret Garden | Página 55 | Capítulo 11

Segui meu pai pelo salão, rodamos um pouco a procura de uma mesa, e não conseguia entender porque ele não se sentava em qualquer uma, haviam algumas vazias ainda. Então ele achou uma mesa, e assim entendi o porquê dessa procura por um lugar para se sentar. As mesas estavam reservadas para famílias, havia um papel em cima da nossa onde o sobrenome Águas Claras estava impresso. Claro que não era qualquer papel, era um com textura e as letras estavam em prateado, assim como a maior parte da decoração da festa. Me sentei e voltei à minha analise do salão.


A frente do salão havia um palco, e o homem gordo parecia estar se preparando para subir nele. Discurso, ah, que divertido. Quando eu era mais nova e ia nessas festas sempre levava uma amiga comigo. Nós divertíamos muito, riamos e brincávamos, mas aqui era impossível de se fazer isso. As crianças que via estavam sentadas e comportadas, prestavam atenção na conversa dos pais ou conversavam de forma recatada com os irmãos.

Quando o local se encheu por completo, o homem subiu no palco, então as pessoas que conversavam se calaram. Caramba, ele nem precisou pedir ‘um momento de atenção’.

Ele começou a falar, contar coisas de anos atrás, idéias que ele teve quando era um adolescente, falar que seguiu seus sonhos, batalhou muito, falhou muito, nunca desistiu, aquele blá, blá, blá de sempre para no final ele passar uma lição de moral e dizer que chegou onde queria, que agora está expandindo e etc... É obvio que ele usou algumas frases bonitas, e no final seu discurso foi comovente, mas ele estava lendo. Nunca confiei em pessoas que liam discursos. Gostava mais daquelas coisas bem estilo filme, onde a pessoa mesmo escrevendo páginas e páginas, acabava falando o que estava sentindo naquele momento. E, além disso, quem me garante que foi ele quem escreveu aquilo tudo? Tudo bem, ele é arquiteto, tem que no mínimo ser criativo e tocante, mas de qualquer forma, não me convencia.

Quando eu pensei que ele havia acabado, ele tornou a falar. Revirei os olhos. Isso já estava me deixando impaciente. A festa seria assim? Se fosse, eu deveria esperar por uma longa noite. Parei de escutar o velhinho e comecei a observar a personalidade das pessoas ali.

Havia gente de todo o tipo: pessoas velhas, novas, interessadas, desinteressadas, distraídas, concentradas e... Me encarando. Ah droga, havia um garoto me encarando. Se eu fosse a Alice brasileira, acharia ótimo que um garoto começasse a me encarar com um sorriso malicioso enquanto eu estava em uma festa entediante. Mas eu não sou mais a Alice brasileira, sou a Alice londrina agora, e não estava achando isso nada agradável.

Desviei o olhar, talvez assim ele notasse meu desinteresse. O homem parou de falar, as pessoas bateram palmas e logo voltaram a conversar. Um garçom me ofereceu um salgado estranho, estava com muita fome, então aceitei. O gosto era horrível, uma mistura de passas com azeite e mel. Mas comi tudo, pelo menos meu estomago parou de protestar contra a fome.

Dei uma olhada discreta na direção do garoto, ele ainda me observava. Porcaria. Levantei-me.

“Vou ao banheiro” avisei meus pais e fui procurar um banheiro. Para a minha surpresa, o garoto se levantou também. Eu estava na metade do caminho, se voltasse iria dar de cara com ele, então continuei, afinal iria entrar no banheiro feminino, lá ele não poderia entrar.

No fundo do salão encontrei um corredor vazio, segui por ele e no final encontrei um banheiro feminino, entrei e olhei aliviada no espelho. Logo depois a porta se abriu, me virei para ela assustada, e de lá o garoto surgiu.

Ah não...

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