sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Secret Garden | Página 49 | Capítulo 9

Antes que eu pudesse responder, uma das portas dianteiras do carro dele - que estava próximo de onde estávamos - se abriu, e de lá saiu uma garota bem vestida, com belos traços asiáticos. Ela parecia impaciente.


“Vai ficar aí toda vida, Burt? Porra, eu tenho mais o que fazer”

Olhei para ele incrédula e com a boca semi aberta esperando por explicações.

“Não disse pra você ficar aí dentro?” disse ele irritado.

“Não disse que eu não recebo ordens de ninguém?” ela colocou uma mão na cintura e com a outra pegou os óculos que estavam na cabeça e colocou sobre olhos “Anda logo, não tenho o dia todo” disse e voltou para dentro do carro.

“Burton, você é realmente inacreditável” disse balançando a cabeça e me virando para voltar para o café. Aquilo não precisava de explicações, o ato em si já era bastante explícito.

Burton agarrou meu pulso me pegando de surpresa, lancei um olhar de ‘Não Me Toque’ para ele que pareceu entender e me soltou.

“Ela não é o que você pensa... Ela é... Minha irmã”

Soltei uma gargalhada barulhenta e sem pudor.

“Claro que é, vocês são iguaiszinhos!” disse eu, extremamente irônica.

Ele estava com uma cara patética, sabendo que essa história não iria colar. Ri mais um pouco limpando uma lágrima no canto do olho.

“Então, vai lá brincar de papai e mamãe com ela, estou vendo como ela está impaciente” mordi o lábio inferior me sentindo superior a ele após essa desculpa tola “E assim como ela, eu tenho mais o que fazer”

Me virei novamente, mas o movimento foi brusco e rápido demais, acabei perdendo o equilíbrio e deslizando na neve. Me preparei para o tombo, que não aconteceu. Burton havia me pegado.

Idiota, idiota, idiota. Ele estava sorrindo novamente, e toda a diversão que eu estava tendo segundos antes desapareceu.

“A neve escorrega, brasileirinha. Você precisa tomar mais cuidado” ele piscou sem desfazer seu sorriso.

Trincando os dentes, puxei meu braço das mãos dele e cautelosamente me virei e fui para dentro do café. Sem parar de andar com passadas pesadas perguntei a Margot onde era o banheiro. Ela estava com os cotovelos no balcão sustentando a cabeça com as mãos e voltada para a janela do café que dava uma visão privilegiada de onde Burton e eu estávamos. Ela parecia estar completamente entretida enquanto assistia a uma cena de novela.

“É logo ali à direita”

Fui até o local indicado. Entrei no banheiro feminino, tranquei a porta e soltei um grito alto, muito alto. Depois de me calar percebi que a coisa fora feia, e temi que Margot - ou até mesmo Burton – tivesse me escutado.

Arregalei os olhos olhando apreensiva em volta, e então alguém bateu na porta do banheiro.

“Está tudo bem aí?” era Margot.

Destranquei a porta e a abri. Encontrei os olhos de Margot tão arregalados e apreensivos quanto os meus.

“Eu não sei” disse.

Eu realmente não sabia. Eu estava confusa. Se aquela biscate não tivesse saído do carro de Burton, provavelmente eu acreditaria nele, mas esse não foi o caso. Eu não sabia se confiava nele. Não sabia se confiava nem em Margot, afinal ela tivera uma parcela de culpa na história. As coisas estavam rodando na minha cabeça.

Me arrastei até o sofá dos fundos do Secret Garden e me joguei nele.

“Eu realmente não sei” disse cobrindo o rosto com as mãos.

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