Olhei para a porta quase automaticamente, e lá vi o motivo da sua mudança de humor: Burton.
“Acho que alguém quer falar com você...” disse Margot de forma seca.
“Ele que entre aqui, não vou me dar o trabalho de ir falar com ele naquele frio congelante”
Ele não parecia estar muito amistoso, estava bastante sério. Eu nunca o vira assim antes. Ele arqueou uma sobrancelha e me lançou um olhar sugestivo, imediatamente eu virei minha cabeça a fim de ignorá-lo.
Margot o olhou novamente.
“Eu acho que ele quer mesmo que você vá até lá”
Revirei os olhos e bufei. Me levantei sem acreditar que eu realmente iria até ele. Peguei meu casaco que estava no porta-casaco, o vesti e abri a porta sentindo a diferença de temperatura.
“Por que não entrou?” fui logo perguntando.
“Porque a Santa Margot me proibiu de entrar aí dentro” ele lançou um sorriso irritantemente sarcástico.
Trinquei os dentes sem saber se era de raiva ou de frio.
“O que você quer?” não estava animada para começar uma discussão agora sobre como Margot estava certa em bani-lo do café.
“Margot disse para mim que você não queria me ver nem se eu estivesse pintado de ouro. Que depois do Ano-Novo eu praticamente morri pra você.” Ele pegou um pouco de ar ainda me olhando sério “É verdade isso?”
“É, é verdade sim”
Eu não me lembrava de ter usado essas palavras, mas deveria ter usado mesmo. Mesmo se não tivesse, isso não deixava de ser um sentimento verdadeiro – apesar da palavra ‘morrer’ ser um pouco forte.
“Me diga, qual é o problema? O que eu fiz de errado?” ele tentou dar outro sorriso sarcástico, mas ao que parecia a raiva estava impedindo “Ah sim, já imagino. Seus amiguinhos disseram o quanto Burton é um idiota egoísta e que você deve ficar longe dele, não é?”
Ele trincou os dentes, e eu também. Isso era verdade, pelo menos ele estava ciente da sua reputação. Mas o motivo real de toda minha raiva dele não era esse.
“Não é isso Burton, e mesmo que fosse, eu não me deixo levar por opiniões alheias, eu mesma formo as minhas” respirei fundo tentando me acalmar. Como eu explicaria a verdadeira história?
Comecei:
“Não vou negar que todos disseram coisas ruins sobre você, mas e eu me recusei a acreditar. Eu sabia que você era mais do que aquilo. No natal, por exemplo, eu me diverti com você. Mas daí veio o Ano-Novo e eu vejo quem você realmente é, Burton”
Trinquei os dentes novamente, ele parecia estar mais calmo.
“Ainda não entendo. Qual foi o meu erro nesse dia? Foi por causa de Constance? Se foi, fique sabendo que eu não a empurrei daquele prédio e nem a obriguei a se jogar de lá”
A forma como ele falava dava a entender que Constance não significava nada. Caramba, ela já havia namorado com ele, como ele podia agir assim?
“Mas você estava com ela! Você poderia ter feito algo!”
Eu estava inquieta, fazia gestos para tentar mostrar a magnitude das coisas.
“Eu vim com ela. Vi ela comprando as drogas, vi ela usando. Ela começou a ficar louca, perguntei se ela precisava de ajuda e ela quase me agrediu, então ela entrou para o prédio dizendo que logo ela estaria com Carter, e fechou a porta na minha cara. O que você queria que eu fizesse? Arrombasse a porta do prédio pra depois ela me dar um soco ou chamar a policia?”
Odiava admitir, mas ele estava certo. Mas isso não limpava a barra dele.
“Essa não foi sua única atitude completamente errada daquele dia, Burton” disse seca enquanto levava uma mão até a cintura.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
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