terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Secret Garden | Página 52 | Capítulo 10

Eu deveria esperar mais um pouco e me corroer com essa historia sozinha. Esperaria até ter total segurança de que esse assunto não afetaria Carter. Eu podia falar com Margot, mas ela estava mais envolvida nas tramas e mentiras – ou não – de Burton do que Carter estava. Acho que o único envolvimento dele na historia era o fato de ele namorar a grande vítima daquele dia trágico. Que droga, dizer que não deveria ficar pensando nisso não adiantava nada.


Foquei-me na tela do computador. Abri a página do meu e-mail e me surpreendi, o número de mensagens que havia lá triplicara. Soltei um gemido em protesto contra a saudade e – que Deus me perdoe – a preguiça.

“Me deixe adivinhar, alguém lotou sua caixa de entrada” disse Carter sem tirar sua atenção do violão.

“Acertou em cheio. Mas não foi só uma pessoa, foram várias”

“Daria tudo para que a caixa de entrada da Apple Sour fosse assim”

Comprimi os lábios lamentando.

“Vocês estão no inicio ainda” tomara que realmente estivessem “daqui a pouco vai desejar que parem de te mandar e-mails”

Ele riu de forma fraca.

“Amém”

Enquanto respondia o primeiro e-mail, uma idéia invadiu minha mente. Uma idéia que ajudaria não apenas Carter, como Margot também. Ela estava voltando para o balcão, me apoiei bruscamente sobre ele e segurei o braço de Margot. Ela se assustou com o movimento e com o toque.

“Tive uma idéia”

“Então diga” ela disse ansiosa, e entregou o prato e a xícara que estavam em sua mão para Mitchell.

“Por que a banda de Carter não canta aqui? Tipo, faz um show mesmo!” falei animada e cheia de expectativa. Carter parou de dar atenção para o violão e me olhou.

“Não é uma má idéia” disse Margot ponderando.

“Não, sinceramente é uma ótima idéia. Música atrai muito as pessoas. Tudo bem, o café possui algumas caixas de som, mas música ao vivo é muito mais vibrante!” minhas idéias estavam se expandindo, eu estava bastante animada “Carter poderia tocar músicas internacionais também”

Ok, talvez eu estivesse começando a sonhar demais.

“É complicado tocar músicas internacionais” falou Carter meio receoso. Margot estava pensativa.

“Talvez nem tanto. Temos Alice aqui, por exemplo. E também tem aquele cara indiano da sua banda” havia um brilho nos olhos de Margot crescendo a cada instante “Mas isso até que seria muito bom. Há tantos estrangeiros nessa cidade, com certeza eles gostariam de tomar um café escutando um pouco de música do seu país”

Carter ainda não parecia convencido, então disse algo que fosse a favor dele:

“Carter, isso iria ajudar muito com sua banda. Tenho certeza de que com isso alguém importante escutaria sua música e se interessaria”

Seu olhar estava distante, ele balançou a cabeça em afirmação.

“Você tem razão” disse ele bem baixo “Quando começamos?” seu tom de voz mudou, agora ele também estava animado.

“No final do mês que vem, o que acham?” sugeriu Margot.

“Perfeito” Carter aceitou sem hesitar.

“Mas o que fazemos com os panfletos agora? Deveríamos divulgar isso”

“Use seus dotes artísticos, Margot” disse e sorri “Vai dar até um estilo mais folk”

Nenhum comentário:

Postar um comentário