domingo, 8 de janeiro de 2012

Secret Garden | Página 103 | Capítulo 23

“Eu vou contar tudo, caso vocês fiquem caladas durante todo o tempo.” Elas assentiram e eu comecei a contar a historia que eu praticamente já sabia de cor.
Quando terminei, elas estavam pasmas. Com os olhos arregalados, mas ainda tinham as bocas fechadas. Só quando elas perceberam que eu havia realmente terminado, que abriram a boca. Com a exceção da Marina, que apenas disse:
“Você perdeu a sua virgindade?” Eu fechei os olhos tentando me acalmar e não ficar vermelha. E era por isso que eu havia escolhido um horário em que com toda a certeza os meus pais não estariam em casa.
“Essa não é a questão agora.” Respondi friamente ainda de olhos fechados, então os abri e arqueei uma sobrancelha.
“Caramba, você foi a primeira de nós!” Marina parecia ter ignorado o meu comentário.
“Eu sempre pensei que a Marina seria a primeira!” disse Grazi, parecendo se divertir com isso.
“Eu também!” Marina respondeu e as duas começaram a rir.
Clara ainda estava sem reação alguma, então ela gritou:
“Gente, cala a boca!”
“Exatamente.” Disse. “Muito obrigada, Clara.” Falei com gratidão.
“No meio dessa historia toda, essa parte é só um detalhe.” Clara disse me defendendo. Antes que qualquer uma fizesse algum comentário desnecessário, ela perguntou:
“O que você fez com esse idiota?”
“Como assim?”
“Ele fez essa babaquice com você; e você não fez nada a respeito?”
Ah droga, outra amiga com espírito vingativo.
“Por que todo mundo tem essa idéia que o meu dever como ‘garota usada’ é me vingar?”
“Ah, faça-me o favor né Alice” Grazi disse “Até eu tentaria dar o troco se estivesse no seu lugar. Você não pode deixar a sua fraqueza eminente para ele!”
Eu não me importava em deixar claro o quanto eu era fraca diante dele, a única coisa que eu queria era manter a minha saúde emocional estável, qualquer movimento exagerado demais poderia causar um desmoronamento de tudo o que havia construído durante esses dias.
“Você deveria aparecer pegando um cara bem gostoso na frente dele.” disse Marina com uma feição pensativa e o dedo indicador sobre a boca.
“Meu Deus, que horror...” eu disse, e então uma onda de choque as atingiu.
“Quem é você e o que fez com a Alice?” Clara falou parecendo não me reconhecer mais.
“Eu pensei que você estava do meu lado!” protestei.
“Eu estou. Mas desde quando você passou a negar o sexo oposto?”
“Você virou bi?” Marina soltou antes que eu pudesse responder à pergunta de Clara – que mais me soava como uma questão retórica.
“Não!” disse com uma sobrancelha arqueada.
“Lésbica?”
“Caramba, não! Eu estava com um cara há pouco tempo atrás, como seria possível eu ser lésbica?”
“Sei lá... Vai que você pegou trauma de homens depois desse…” Marina ponderou.
“Diante das minhas experiências amorosas, eu posso sim ter sofrido um trauma, mas eu não mudei a minha orientação sexual por causa disso, esse é o tipo de coisa que não dá para escolher.” Suspirei “Eu só não quero me envolver com ninguém por um bom tempo. E, principalmente, não repetir o que ele fez comigo: usar uma pessoa para atingir outra.”
Elas assentiram. Depois de um bom tempo, Grazi quebrou o silêncio:
“Cara, você precisa fazer alguma coisa. Eu nunca te vi tão pra baixo.”

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