sábado, 30 de outubro de 2010

Secret Garden | Página 30 | Capítulo 6

“Dois minutos”


Uma vibração estranha me invadiu. O tempo havia passado extremamente rápido. As pessoas estavam alegres, e falavam mais, mas ainda sim continuavam comportadas, o que eu achava completamente estranho.

Alguns ergueram câmeras fotográficas ou celulares, e se aproximaram do rio para ter uma visão melhor.

Carter olhou para mim sorrindo, sorri para ele. Elle tinha os olhos focados na London Eye mas as vezes desviava o olhar para ver algo em seu celular, ela sorriu e o guardou. Margot alternava sua visão entre os olhos de Mitchell e a roda gigante iluminada, Mitchell olhava para Margot e sorria.

Carter se aproximou de mim, então todos os presentes ali começaram a contagem regressiva que era de revirar o estomago de emoção.

A cada número a menos as batidas do coração se aceleravam, e chegando ao um, a cidade se iluminou.

Um show de luzes começou, luzes que davam ao céu uma cor incrível. Um turbilhão de emoções passou por mim. Era tudo grandioso e belo demais, os fogos pareciam tentar me alcançar, mas não conseguiam. Se pudesse, observaria aquilo durante uma eternidade. Era indescritível a forma como me sentia diante daquela dança bem coreografada de luzes. Cada efeito era de tirar o fôlego, e a multidão se acabava nos suspiros e gritinhos de alegria.

Desviei minha mente por um segundo do espetáculo para olhar para Carter, e esse um segundo fora o suficiente para uma onda de sentimentos nos unir em um beijo que não deveria ter acontecido.

Eu deveria me desprender dele o quanto antes, mas simplesmente não conseguia. As pessoas nos empurravam para verem os fogos mais de perto, mas nem assim nossos corpos se descolavam. Meu coração estava acelerado e eu arfava curiosa para saber se isso era resultado do beijo proibido ou do ano novo que acabara de chegar.

Deveria parar com isso, ele tinha uma namorada que era dependente dele de certa forma, mas não queria me desprender. Estava indo bem demais e seu gosto era delicioso, quase hipnotizante.

Não tinha idéia de quem havia começado isso, assim como não sabia quem havia dado um fim. Talvez os culpados fossem a tentação e a responsabilidade, e agora tinha noção de quanto a responsabilidade pode ser chata.

Carter pigarreou, mas não olhou em meus olhos. Ele pegou um pouco de ar e começou a dizer:

“É melhor irmos embora”

“Os fogos ainda não terminaram...” argumentei.

“Exatamente por isso devemos ir agora. Quando eles terminarem o metrô estará intransitável,” Ele suspirou “e Connie está sozinha, é melhor que eu fique lá com ela.”

Carter avisou a todos que já estávamos indo, Margot e Mitchell ficariam até o final dos fogos, Elle iria conosco já que nosso metrô tinha o mesmo destino – Margot e Mitchell não moravam próximos a nós. Elle não gostou muito da idéia de ir embora antes dos fogos acabarem, mas assim como eu ela não tinha opção já que seria perigoso demais ela andar por aí sozinha, e isso me fazia lembrar de Constance, e me sentia desconfortável apenas com a menção de seu nome em meus pensamentos.

Nos esprememos por entre a multidão, e depois de muita luta conseguimos nos afastar dela.

O caminho até o metrô foi desconfortavelmente silencioso, e durante a viagem também, apenas quando chegamos a nossa estação Elle resolveu dizer algo.

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