Elle parecia maravilhada com Burt, parecia que ela não esperava um cara assim. O proveito que poderia tirar disso era ver se Burton agiria com Elle da mesma forma que agiu comigo na noite de natal, se não agisse poderia ser um vestígio de alguma mudança em seu comportamento taxado como “perigoso”.
“Vamos logo” Constance disse em tom de súplica, ela estava inquieta.
“Temos um rosto novo aqui?” perguntou Burton com um meio sorriso.
Elle esticou a mão e disse:
“Elle Greywood”
“Burton Morris”
Ao invés de Burton dar um simples aperto de mão, ele deu um beijo na mesma. O que era irritantemente desnecessário e obviamente deixou Elle mais maravilhada ainda.
“Já ouvi esse sobrenome em algum lugar...” disse Elle.
“Claro que já ouviu. Vamos, no caminho te explico” Burton respondeu cheio de si.
Começamos a andar em direção ao metrô que segundo Carter, não era muito longe dali. Eu não sabia o caminho, então apenas segui o grupo de casais.
Burton e Elle conversavam, e a garota parecia cada vez mais deslumbrada com ele. Senti-me péssima, provavelmente por ser a única solitária ali. Ninguém desgrudava de seu par e isso era irritante. Eu queria conversar, mas eles estavam focados demais em outra coisa. É, somente eu seguraria a vela durante a noite, isso era ridículo.
Não era justo Elle ser o par de Burton, era para ela estar sozinha, e não eu. Afinal, fui eu quem a introduziu no grupo.
Ri de mim mesma ao ponderar a hipótese de Elle ceder Burton a mim. Ri pois ela não faria isso de forma alguma, e ri porque estava parecendo uma garota necessitada de homens. E eu definitivamente não precisava deles. Isso soa contraditório, mas não quero me ceder a eles, não preciso deles.
As escadas do metrô estavam abarrotadas de pessoas. Algumas alegres, outras concentradas em seus pés para que não caíssem ou machucassem alguém. Algumas estavam em silencio e outras falavam sem parar.
Eu estava classificada como uma das pessoas em silencio e concentrada, não queria receber um pisão no pé e não poder comemorar a chegada do Ano-Novo.
“Não saia de perto de nós” alertou Carter.
“Tudo bem, a última coisa que quero é ficar perdida em uma cidade desconhecida”
Ele pegou meu braço para se certificar que não me perderia no meio da confusão.
Depois de uma grande luta conseguimos entrar no metrô. Olhei em volta, mas a única face conhecida ali era a de Carter.
Meu coração se acelerou e gelei por um instante.
“Onde estão eles?” perguntei.
“O quê?” ele fez uma cara de incompreensão, e então me dei conta de que havia perguntado em português.
“Onde estão eles?” perguntei novamente, dessa vez em inglês.
“Não prestei muita atenção, mas acho que não couberam aqui. Devem estar em outro vagão ou irão pegar o próximo trem.” Ele não aparentava estar muito preocupado.
“Por que toda essa preocupação comigo e quase nenhuma com os outros?”
“Pois eles conhecem a cidade e você não, bobinha” ele deu uma risada e disse isso em um tom que me fez sentir como uma idiota incapaz de cuidar de mim mesma.
Ficamos em silêncio durante a viagem que foi bem rápida, e me preocupei novamente assim que chegamos em nosso destino.
“Carter, como iremos achá-los aqui?”
Ele não respondeu, apenas mostrou um celular em sua mão.
“Ah, claro. Como não pensei nisso antes?”
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário