“Vou achar um lugar para comprar, então encontro vocês, pode ser assim?”
Todos se entreolharam e arquearam os ombros em uma forma de dizer um “Tudo bem”.
“Eu vou com você” Constance disse subitamente. Carter fez uma careta em forma de reprovação.
“Acho melhor não” disse ele e Burton concordou com a cabeça.
“A gente se encontra uma hora aí, não tem como falhar.” Ela parecia suplicar, e suplicava por algo que era tão insignificante.
“Connie, tem muitas pessoas na rua hoje, é perigoso”
“Eu sei o caminho de casa, e estarei com Burton”
“Ok, então vamos todos juntos”
“Não precisa” disse Constance “E acho que Alice não quer perder nada da festa. Não ia ser educado se eu atrapalhasse isso”
Ela estava certa, não queria mesmo perder o réveillon para comprar bebidas.
“Então vocês vão comprar o que precisam e depois ligam para nos encontrarmos” Sugeri.
“É uma ótima idéia” Constance já estava virada de lado e puxando o braço de Burton “Nós ligamos para vocês, ou mandamos uma mensagem. Bom, a gente se encontra”
Antes que alguém pudesse falar qualquer coisa os dois já haviam se misturado à multidão. Carter tinha um olhar apreensivo e parecia estar imerso em pensamentos.
Não sei dizer se Constance era capaz de se cuidar, mas ela estaria ao lado de Burton o que indicava que ele provavelmente deixaria as coisas sobre controle.
“Vamos?” disse Margot impaciente.
Ninguém respondeu, apenas fomos andando pelas ruas, e a cada passo que dávamos nosso ânimo aumentava. Não fazia a menor idéia de onde meus pés estavam me levando, mas queria muito chegar a esse tal destino desconhecido por mim.
Estava animada pois era o último dia do ano e isso significava que algo novo estava por vir. Um ano novo numa cidade nova com pessoas novas; era novidade demais para mim, só esperava dar conta de tudo isso.
Uma música no estilo indie-rock invadia o lugar. Ela estava bem baixa, o que indicava que sua origem estava distante de nós ainda. Mitchell parecia conhecer a música, pois acompanhava a letra – que para mim era incompreensível – com os lábios.
“Muitas bandas estarão tocando?” perguntei a Carter.
“Muitas. Desde bandas famosas a bandas amadoras, tocam todo o tipo de música.”
“Esta cidade tem muitas pessoas que possuem uma banda, não é mesmo?”
“Sim,” ele sorriu “eu mesmo tenho uma.”
“É mesmo?” falei animada “E como ela se chama?”
“Apple Sour”
Aquele nome me soava estranhamente familiar, mas de onde poderia já o ter escutado? Tinha quase certeza de que Carter nunca comentara sobre sua banda comigo. Forcei a minha mente a se lembrar, mas a lembrança não vinha de lugar algum. Sempre que tentava me lembrar de algo mas não conseguia, ficava levemente irritada, e desta vez não foi diferente.
“Já ouvi esse nome em algum lugar”
“Meu deus, minha banda chegou ao Brasil?” Perguntou ele incrédulo e desconfiado.
Minha mente se iluminou. Eu conhecia sim a banda de Carter, e era por acaso. Eu havia baixado uma música dele sem querer, e essa mesma música havia me estressado no dia da viagem.
“Meu deus! Eu tenho uma música da sua banda!” disse animada.
Ele ficou chocado com a informação. Parou de andar e levou uma mão à cabeça lentamente, sua boca estava aberta e logo se transformou em um sorriso de glória.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
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