terça-feira, 7 de junho de 2011

Secret Garden | Página 87 | Capítulo 20

Aproveitei enquanto Burton estava ocupado e fui resolver o problema da ligação, já imaginando o sermão que minha mãe me faria escutar. Fui bolando argumentos convincentes para que não precisasse ouvir muito. Levantei-me e peguei o celular na minha mala. Disquei o número, com duas chamadas ela atendeu.
“Oi mãe” disse desanimada.
“Alice, o que deu na sua cabeça? Quem você pensa que é pra sumir do mapa sem dar notícias?”
Uma princesa em lua de mel com seu príncipe num castelo maravilhoso... Brega, mas perfeito.
“Desculpa mãe. É que andamos fazendo muitas coisas por aqui, não tive tempo de te ligar” muitas coisas, muitas “Olha que legal, eu aprendi a jogar arco e flecha ontem!”
“Vai acabar machucando alguém” suspirei impaciente com a falta de confiança que ela tinha em mim “Alice, amanhã suas aulas particulares começam”
Aulas e... Espera, aulas?
“Aulas?” falei com um desespero crescendo em meu peito. Eu não queria aulas!
“Aulas”
“Não!”
“Sim” estava tudo perfeito demais, tinha que haver algo para me dar um tapa na cara e me mostrar a realidade “Achou que ficaria a toa para sempre? Quer moleza, minha filha? Senta no pudim”
Essa foi a pior expressão que minha mãe pode ter adotado para usar no seu dia-a-dia.
“Não mãe! Eu não posso começar a estudar agora”
“E por que não?” ela perguntou indignada.
Queria dizer que era porque eu havia acabado de descobrir o amor e descobri que o cara que eu achava um idiota é uma das coisas mais importantes para mim agora, e que isso é melhor do que deitar e rolar no pudim. Mas não posso falar porque (1) se eu disser a verdade sobre a minha viagem, meus pais arrancam meu rim pela boca, e (2) essa expressão é nojenta.
“Porque você me avisou tudo muito em cima da hora. Eu nem tenho material escolar, e nem estou preparada psicologicamente para isso”
“Eu comprei seu material ontem, e é melhor se preparar psicologicamente a partir de agora”
Gemi.
“Tá mãe, que droga. Eu tenho que ir, tchau”
Desliguei sem dar tempo para que ela pudesse se despedir direito.
Aulas. Isso era terrível.
Esfreguei minhas têmporas e olhei para Burt que olhava para mim tentando entender.
“O que foi?” ele perguntou.
“Nada de importante” respondi enquanto a conversa que acabara de ter com minha mãe se desintegrava em minha mente. Burton era como ácido corrosivo para os meus pensamentos.
Ele estava sentado de um lado da cama e eu do outro; me arrastei até ele para acabar com esse espaço desnecessário. De forma firme, ele passou um braço em volta da minha cintura.
“Quem era?” perguntei curiosa.
“Era do restaurante do hotel. Estavam perguntando se queríamos que entregassem os pratos que pedimos ontem à noite”
 “É mesmo, nós nem comemos” dei uma risada curta.
“Estávamos um pouco ocupados” um sorriso brincava nos lábios dele.

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