terça-feira, 7 de junho de 2011

Secret Garden | Página 85 | Capítulo 20

“O que?” perguntei com uma sobrancelha arqueada. Eu havia perdido algo muito grande nessa historia “Você trabalha?”
“Eu comecei na semana passada. Demorei bastante para convencer meu pai de me aceitar em sua empresa”
“Decidiu criar juízo?” eu ainda estava um pouco confusa.
Ele deu um meio sorriso passando seus dedos pelo meu cabelo. Pegou uma mecha e colocou atrás da minha orelha.
“Mais um dos seus milagres, Alice”
“Deixa eu ver se entendi: você começou a trabalhar por minha causa?”
“Grande parte da minha determinação para fazer isso foi culpa sua”
Caramba, caramba, caramba. Ele praticamente mudou a rotina de vida dele por minha causa, isso não é pouca coisa. Mas qual a lógica disso tudo? Ele começou a explicar sem que eu ao menos perguntasse:
“Você não ia gostar de um vagabundo que vive à custa do pai. Geralmente, as meninas que gostam fazem isso por causa do dinheiro do meu pai, mas eu vi que você não dava muita importância para o dinheiro. O Carter por exemplo, ele não...” antes que ele se aprofundasse nesse assunto coloquei meu dedo indicador sobre os seus lábios.
“Shhh...” lhe lancei um olhar gentil “Carter quem?”
Ele pegou minha mão que estava próxima a sua boca e a beijou. Com beijos, seguiu pelo meu braço até encontrar meus lábios, em seguida sussurrou em minha orelha:
“Alice, você é minha agora”
“Você não pediu permissão para me ter” sentia a respiração dele percorrer meu pescoço, era tão difícil pensar.
“Com permissão ou sem, quem te tinha agora está num baita prejuízo, e eu não sou de indenizar”
“Virou ladrão?”
“Por você, valhe a pena”
Apoiei seu rosto em minhas mãos e o beijei. Essa era a melhor morte lenta que se pode ter. Nos sentamos no grande e macio sofá do quarto, os dedos dele brincavam com o meu cabelo e eu o beijava como se tivesse esquecido que ele mencionara que tínhamos de ir embora. Acho que na verdade foi ele quem se esqueceu.
Ele estendeu suas pernas ao longo do sofá, me escorava em seu peito, seus braços estavam em volta de mim. Seus olhos estavam fixos nos meus, nossos rostos bastante próximos.
“Eu...” ele começou a falar, mas não parecia muito seguro e confiante “Eu não sou o tipo de cara que consegue te dar uma música e coisas assim sabe... Eu posso te dar um colar caro ou uma roupa de marca, mas não sou bom o suficiente para fazer algo tão sentimental” o tom dele tinha sinceridade e um pouco de amargura, fazia doer o coração.
“Me dê você” dei um sorriso sutil “É até bom para deixarmos as coisas mais justas”
“Não posso te dar algo que já tenha” ele sorriu.
“Então eu não preciso de mais nada” fiz uma feição pensativa e completei: “Mentira, preciso sim. Me dê um beijo”
Ele balançou a cabeça encenando reprovação.
“Como ladrão, vou ter que te ensinar algumas técnicas de roubo. Com aulas práticas, claro”
“Me ensine uma agora” sem que eu concluísse a frase direito ele me beijou.
“Técnica número um: pegar as pessoas de surpresa” disse ele com um sorriso malicioso nos lábios. Sua testa estava colada na minha
“Acho que não entendi direito. Pode repetir?”
“Quantas vezes for necessário” ele me beijou novamente.

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