segunda-feira, 21 de março de 2011

Secret Garden | Página 71 | Capítulo 16
















O telefone tocava fazendo minha cabeça doer cada vez mais. Meu pai estava cansado de atender as ligações, já que eu não o fazia - não queria correr o risco de falar com alguém que eu estava evitando. Carter? Sim, era ele. Meus motivos? Acredito que não preciso especificá-los.
“Atenda esse telefone logo, Alice!” minha mãe gritou da cozinha.
Com os olhos focados na televisão, fiz que não com a cabeça pouco me importando se ela veria ou não. Minha mente estava em um lugar estranho e perturbador, eu não tinha nem noção do programa que estava sendo exibido no canal que colocara na televisão.
Meu pai correu para a sala de forma impaciente e atendeu ao telefone. Ele estava cansado de atender ligações destinadas a mim, e estava muito desconfiado. Mas é claro que estava, depois de um boato horrível sobre mim naquela festa ter chegado até ele, provavelmente ele não esperaria o meu melhor. Ainda mais com um garoto ligando para cá de meia em meia hora.
“É o tal de Carter de novo” disse ele.
“Diz que eu morri, fui atropelada por um ônibus de dois andares e meu corpo caiu no Rio Tâmisa”
“Ela não está” disse meu pai enquanto minha mãe me xingava por dizer algo tão horrível.
“Ei, não foi isso que eu disse!” reclamei com meu pai. Ele me ignorou e depois desligou o telefone. Agora olhava para mim extremamente sério.
“Não sei o que você está aprontando Alice, mas esse garoto não está mais acreditando nas suas desculpas. Então acho melhor você encarar seus problemas de uma vez por todas ou você não vai te dar descanso” meu pai não esperou por respostas, apenas saiu andando. Revirei os olhos.
Detestava admitir, mas ele tinha razão. Hora ou outra eu teria que enfrentar Carter. Mas adiaria esse dia o máximo possível, não estava preparada para falar com ele ainda, fora tudo muito recente. O telefone tocou novamente. Meu deus, ele estava cada vez pior.
“Eu atendo” disse minha mãe nada amistosa “vou deixar seu pai descansar um pouco agora” ela me fuzilou com os olhos e pegou o telefone.
Ela não havia atendido das outras vezes por causa do seu inglês precário, mas agora ela improvisava.
“É pra você” ela me entregou o telefone, olhei para ela com uma cara de ‘você sabe que eu não vou fazer isso’ enquanto o levava de volta ao gancho “Não é o Carter, é um tal de Burton” o que? Peguei o telefone novamente, ele ainda estava na linha.
“Burt?” minha mãe me reprovava com o olhar, a ignorei.
“Oi, como você está?” meu deus, a voz era dele, mas seria mesmo ele?
“Bem, eu acho...” franzi o cenho sem entender “Como conseguiu meu número?”
 “Geralmente eu consigo as coisas que desejo” ah, era mesmo ele.
Fez-se um silêncio estranho.
“Você só me ligou para perguntar isso?”
“Não só isso, queria te fazer um convite” antes de ele fazer o tal convite eu já ponderava a idéia de aceitá-lo ou não.
“Diga” falei insegura.
“A algum tempo atrás meu pai ganhou duas diárias para duas pessoas em um hotel-castelo em Newcastle, próximo a Sunderland” eu não fazia idéia de onde eram esses lugares, mas já ouvi falar de um deles.
“Como seu pai ganhou essas diárias?” perguntei desconfiada.

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