Ele riu e disse aproximando seu rosto do meu.
“Não precisa ter pressa, meu amor”
Amor? Era a primeira vez que ele me chamava assim e dizia essa palavra se referindo a mim.
“Sim,” eu havia falado a palavra amor em voz alta sem perceber “você sabe que eu te amo, Constance”
Congelei. Pisquei algumas vezes para ter certeza de que não havia me enganado, consegui essa certeza vendo a feição de Carter, um misto de surpresa e arrependimento.
“O que?!” perguntei sem saber se realmente queria uma resposta.
Ele esboçou algumas palavras, mas nenhum som saiu de sua boca. Eu estava um pouco chocada ainda, pensei que era incapaz de realizar alguma ação, mas empurrei Carter para trás com força para que eu pudesse sair dali. Me levantei de forma agressiva e fui pegando minhas roupas que estavam espalhadas pelo apartamento, não estava conseguindo enxergar, andar, ou sentir de verdade, mas tinha a certeza de que Carter estava atrás de mim.
“Alice, não aja assim, eu só...”
Abri a porta de forma brusca e me virei para ele enquanto vestia minhas blusas. Levantei meu dedo indicador e apontei para ele de forma severa, rude e acusadora.
“Só me procure quando tiver certeza absoluta de quem eu sou” saí dali e bati a porta com uma força que nunca imaginara ter.
Desci as escadas correndo e quase tropeçando nos meus próprios pés. Lutei com a porta de entrada do prédio, e então vi que se não pressionasse o botão ao lado eu ficaria nisso eternamente.
Na rua, tomei um pouco de ar, mas eu precisava sair dali, Carter certamente já estava me alcançando. Sem pensar direito fui seguindo uma rua e virando na esquina de várias outras para que ele não pudesse me achar.
Caramba, eu sou muito idiota, muito idiota mesmo. Como fui pensar e acreditar que ele havia esquecido a outra? E dane-se que ela tinha morrido, isso não o poupava da culpa. Eu não sou ela, seja ela estando viva ou não, eu sou Alice! Tudo bem, eu sinto muito por ela não estar aqui, mas o que eu posso fazer?
Ah sim, Carter sabe bem o que eu posso fazer, substituí-la ou tirá-lo de uma abstinência sexual. Meu deus, eu gostava dele, eu gostava dele de verdade, como ele pôde ter feito isso comigo? Não, como eu não pude notar que ele estava fazendo isso comigo?
As coisas que ele dizia sobre eu tê-lo ajudado eram tudo uma baboseira, uma grande, enorme, monstruosa mentira, ou uma enorme armadilha. Quem não se entregaria a alguém que diz coisas assim? Talvez muita gente, mas eu tive a infeliz descoberta que não fazia parte dessa porcentagem.
Eu estava magoada, estava com raiva, estava com todos os sentimentos negativos rodando na minha cabeça, e isso misturado com meus olhos embaçados e cheios davam um péssimo resultado. A sensação era de que a qualquer momento eu estaria no chão, e agora não haveria ninguém para me socorrer. Onde eu estava? Ah, isso não importava. O que importava é que eu estava longe de Carter, a última coisa que eu queria era vê-lo novamente. Pelo menos por hoje. Por essa semana. Por esse mês. Por um bom tempo.
Limpei meus olhos e continuei andando para algum lugar, e tudo o que conseguia pensar era no fato de eu ter me permitido ser enganada a esse ponto. Era terrível, era praticamente uma traição.
Parei em um local olhando em volta. Eu nunca estivera aqui antes. Essas coisas que dominam sua mente por completo são mesmo uma merda. Como eu voltaria para casa? Nenhuma rua ou local aqui me era familiar e não me lembrava de forma alguma o caminho que havia feito para chegar até aqui.
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