Eu estava próxima a uma avenida, e bem ao longe eu podia ver um ponto de ônibus. O local estava deserto, o que me fez estremecer mais ainda. Eu estava vulnerável demais aqui.
Andei em direção ao ponto de ônibus, meus pés reclamavam do salto que eu estava usando, mas eu os mandei ficarem quietos, só agravavam o estado da minha mente agora. Cheguei ao ponto de ônibus e lá havia uma tabela com os horários e o tempo aproximado de espera. O próximo chegaria às 00:45 e ainda eram 00:15 pelo relógio digital acima do telhado do ponto. Mas esse não era o único problema, será que esse ônibus passaria em um local perto da minha casa? Coloquei as mãos sobre o rosto, eu estava muito perdida e ferrada. Esse era definitivamente meu pior dia nessa porcaria de cidade.
Me sentei no banco do ponto tentando pensar no que iria fazer, minha mente estava uma bagunça. Olhei para o lado e vi uma cabine telefônica, aquelas vermelhas onde todos os turistas sentem uma necessidade enorme de tirar fotos. Isso era ótimo, corri até ela e abri minha bolsa já na expectativa de achar algo, o que eu não sei. Eu tinha umas moedas, mas eu não tinha meu telefone de cor ainda. Esse era um dos meus problemas: eu possuía uma grande dificuldade para decorar as coisas. Vasculhei mais minha bolsa, e encontrei algo que poderia ser útil: o cartão de David.
Coloquei as moedas e disquei o número. Depois de alguns toques ele atendeu, e desesperada, com lágrimas escorrendo de forma compulsiva expliquei a ele de forma muito breve minha situação. Ele disse que era só eu dar o endereço a ele que logo estaria aqui. Vi na placa do ponto de ônibus o nome da rua e disse a ele que falou para esperar um pouco e aguentar firme. Desliguei e voltei para o banco para esperá-lo.
Agora tudo o que eu conseguia fazer era chorar, chorar e chorar – e torcer para que ninguém aparecesse ali. A cada segundo que se passava eu conseguia entender melhor tudo o que eu realmente significara para Carter enquanto nos beijávamos, nos abraçávamos e dizíamos coisas bonitas e melosas um para o outro. Eu estava muito cega; cega por um sentimento que eu nem sabia se era verdadeiro da minha parte – da dele eu tinha certeza da falsidade agora.
Comecei a bater o pé no chão de forma impaciente, eu tremia e me abraçava para me manter aquecida.
Depois de algum tempo assim eu ainda sentia frio, mas via um carro ao longe, torci para que fosse David. Ele parou em frente ao ponto de ônibus e abriu o vidro, era mesmo David. Rapidamente abri a porta e entrei no carro. A temperatura estava muito mais agradável.
“Alice, o que aconteceu querida? Não consegui entender muita coisa pelo telefone”
Comecei a contar toda a historia, e me lembrando de tudo que passei, era inevitável chorar. David escutou tudo de forma extremamente compreensiva, e ele parecia estar sentindo junto comigo.
“Ah, meu bem, não fique assim. Um babaca como esse não te merece” ele passou um braço sobre meu ombro, mas logo o tirou para poder dirigir. Disse a ele meu endereço assim que entrei no carro “Saia para se divertir e esqueça ele, logo ele irá se transformar apenas em uma lembrança, e não em algo que te machuque. Depois encontre alguém que te faça esquecer dele de forma definitiva”
Assim eu esperava.
“Já sofri muito com algumas pessoas também” ele continuou “fui enganado também, mas encontrei gente melhor e superei” ele sorriu, fazendo isso tudo parecer simples. Queria que fosse.
Suspirei de forma ruidosa, o choro estava se cessando.
“Não sei o que eu faria se você não fosse me buscar, David... Muito obrigada mesmo”
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