“Oh meu bem, estou aqui para quando você precisar. Ligou, Dxx chegou” ele piscou e dei uma risada baixa e sem muito humor.
Quando vi já estávamos na porta da minha casa. Eu não estava tão longe quanto imaginava, mas seria difícil chegar até aqui usando apenas a intuição, demos muitas voltas.
Abri a porta e agradeci novamente a David, ele disse que eu não tinha que agradecer e para que combinássemos de fazer algo no final de semana. Concordei mesmo sabendo que não iria e fui me arrastando para a porta de entrada do prédio.
Olhei para a direita e o movimento no Secret Garden ainda era intenso, mas muitos carros já haviam sumido. Um dos carros que ainda estavam estacionados na rua eu conhecia bem, era o de Burton. Percebi que ele estava do lado de fora fumando, e que aparentemente havia me notado desde a hora que cheguei no carro de David. Ele veio na minha direção, rapidamente procurei minhas chaves e abri a porta, quando ia fechá-la algo me impediu. Era o braço de Burton, reconheci pelo casaco que ele usava, não olhei para cima, não queria que ele visse meu rosto.
“Você sai do café com um e chega com outro? Estou vendo que consegue fazer muito em pouco tempo, quem olha pra você nem imagina algo assim”
Não estava olhando para ele, mas sentia a presença de seu sorriso sarcástico. Eu estava tão, mas tão sensível que o que ele disse me fez voltar a chorar. Olhei para ele decidida a dar boa noite e entrar.
“Boa noite, Burton”
Consegui ver a feição dele mudando de forma drástica ao ver meu rosto, até me assustou um pouco. Tentei fechar a porta, mas ele me impediu novamente.
“Suas piadas inconvenientes ainda não acabaram?” perguntei, mas ele me ignorou.
“O que...” ele parecia receoso “O que aconteceu?”
“Nada” não queria falar a respeito disso com ninguém. Muito menos com ele.
Tentei fechar a porta novamente, mas ele não deixou. Grunhi, estava começando a ficar bastante nervosa.
“Eu não vou sair daqui enquanto você não me contar o que aconteceu” o tom dele não foi invasor ou grosso, foi mais para apreensivo. Chegava a ser surpreendente; ele preocupado de verdade com algo, ou melhor, com os sentimentos de alguém?
Balancei a cabeça respirando fundo. Eu queria minha cama mais do que tudo, então teria que falar logo.
“Me enganei a respeito de uma pessoa” acho que isso era o suficiente.
“Pelo que parece, você se enganou feio” disse ele se escorando no rodapé da porta “Foi com Carter?”
Fiz que sim com a cabeça. Ele balançou a sua em forma de reprovação. Não sabia se ele estava me reprovando ou reprovando a Carter.
“Sempre soube que ele não era confiável”
“É, você sabe bem como lidar com confiança, né?”
Ele riu levando na brincadeira.
“Que seja. Posso fechar a porta agora?”
“Fique a vontade” quando eu ia fechar, ele completou: “Não fique chorando por ele, provavelmente ele não merece suas lágrimas” ele piscou e eu fechei a porta devagar. Isso fora estranho, mas fora sincero.
Entrei em casa me lembrando que a historia não acabava ali, teria que dar muitas explicações aos meus pais, suspirei.
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