Não queria que fossemos embora agora porque eu estava com frio. Aquele momento estava sendo bastante interessante, eu estava gostando.
“Sei que está com frio. Essa blusa não foi feita para aguentar nossos invernos.” Disse ele segurando a manga da minha blusa. Outro tremor me invadiu.
“Estou bem Burt, acredite em mim.”
Ele abriu o zíper de sua blusa, a tirou e colocou sobre os meus ombros. Ela tinha um cheiro muito bom de perfume, álcool e cigarros.
“Burt” disse pegando a blusa “Não preciso.”
Ele me ignorou e colocou a blusa em meus ombros novamente.
“Adoro quando você me chama de ‘Burt’, sabia?”
Revirei os olhos e tirei a blusa novamente.
“Olha,” disse ele bloqueando meus movimentos com as mãos “eu não preciso disso, mas você precisa. Não seja uma criança teimosa, Alice.”
Cedi. Mas não poderia dizer que foi exatamente contra a minha vontade, pois a blusa dele era confortavelmente quente e o cheiro podia ser facilmente denominado como viciante.
Ele sorriu de satisfação ao ver minha rendição.
“Vamos embora daqui?”
Não, pensei.
“Tudo bem” disse.
Nos levantamos.
“Me dê isso” disse ele gesticulando para a garrafa em minha mão esquerda- eu já havia terminado de beber o líquido.
Ele jogou a garrafa em um lixo próximo e começamos a andar pelas ruas atrás de seu carro de luxo. Não demorou muito e já estávamos ao lado dele.
Por pouco não fui parar em frente à porta errada, mas logo me lembrei do que havia feito no inicio da noite. Antes de entrarmos no carro ele parou.
“Entre no carro que eu já venho”
Ele destravou a porta e fiz o que mandou um pouco desconfiada.
Não estava exatamente quente dentro do carro, mas também não estava frio, e ele cheirava exatamente como a blusa de Burt, mas com um toque de couro.
Aproveitei a ausência de Burton para bisbilhotar. Eu odiava pessoas bisbilhotando as minhas coisas, mas adorava bisbilhotar a dos outros.
No mesmo instante em que abri o porta-luvas uma luz se acendeu dentro dele. Comecei a olhar as coisas ali dentro: muitos papeis, tampinhas de garrafas variadas, moedas, notas amassadas e camisinhas.
Bom, pensei, pelo menos ele não tem nenhuma DST ou um filho largado pelo mundo.
Fechei o porta-luvas. Ok, aquilo era realmente uma grande invasão de privacidade. Eu não tinha direito algum de bisbilhotar o carro dos outros. Uma pontada de culpa passou por mim e engoli a seco.
Isso foi bastante errado, prometi a mim mesma que não se repetiria.
Burton abriu a porta e entrou no carro. Em suas mãos haviam duas caixas com garrafas da ‘bebida de morango’, o que me deixou chocada.
“Burt, apenas uma garrafa era o suficiente para mim”
“Pra quê beber apenas uma se podemos ter várias?”
“Porque é desnecessário. Eu não vou beber isso tudo”
“Pode ter certeza de que você terá ajuda, querida”
Balancei a cabeça e peguei uma garrafa de dentro das caixas. Olhei para a tampa colada no orifício da garrafa e me frustrei.
“Ótimo, como vou abrir isso?”
Diiiiiiiiva, cada vez me surpreendendo mais haha. Mais *-* s2
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