sábado, 25 de setembro de 2010

Secret Garden | Página 16 | Capítulo 5

Andamos um pouco até chegar a um carro que aparentava ser bem caro, e não deveria estar enganada. Burton deveria ser da alta sociedade, ou então, seus pais eram da alta sociedade.
Me locomovi até a porta onde iria entrar, mas ele olhava para mim com uma feição de divertimento. Chequei minhas calças para me certificar de que não estavam ao contrário, toquei meu rosto para descobrir se alguma espinha havia aparecido, e então me toquei de que estava entrando pela porta do motorista.
Maldita seja a mão inglesa.
 “Achou mesmo que iria entrar aqui?” tentei fazer piada da minha gafe “Imagina, estava apenas brincando!” Me sentia pateticamente idiota.
Ele balançou a cabeça sorrindo e abriu a porta para mim, do lado correto, óbvio. Já dentro do carro entrei em um assunto aleatório para fazê-lo esquecer o que havia acabado de fazer.
 “Sabe, eu andei pensando que seria divertido andar em um daqueles ônibus de dois andares.”
“Sim, você tem uma bela visão de cima da rua.” Ele deu uma risada. “Qualquer dia andamos em um, prometo.”
“Eu irei cobrar.”
“Não vou esquecer.”
Ele girou a chave e acelerou o carro bastante silencioso.
“Desde que cheguei, essa é a primeira vez que saio desse quarteirão.”
“Nossa. Sinto dizer querida, mas está perdendo muita coisa.”
“Sei disso, mas me perco fácil, e essa cidade é bem confusa.”
“Realmente é confusa para quem não a conhece, não aconselho sair por aí sozinha.” Ele olhou para mim. “Quando precisar estarei a sua disposição.”
“Como motorista?”
“Para qualquer finalidade.” Ele piscou.
“Idiota.”
Fomos passando pelas ruas tranquilas da cidade. Algumas estavam enfeitadas com luzes coloridas, outras não.
Ele estacionou em uma rua movimentada, descemos do carro. Me guiou para dentro de um mercado onde começou a pegar bebidas. Pegou duas garrafas e depois pagou. Saímos de lá e ele me ofereceu uma garrafa.
Peguei mesmo sabendo que não tinha idade suficiente para beber aquilo.
“Vamos andar um pouco. Pode ser?”
“Tudo bem...”
Começamos a andar entre as pessoas que passavam por nós. Algumas calmas, outras correndo. Apenas faces diferentes e imponentes.
“Você não tem idade para beber isso, não é mesmo?”
“Não, não tenho.” Disse envergonhada.
“Odeie-me ou me ame por estar te estragando.” Ele sorriu.
“Ok, se eu conseguir abrir isso vai ser uma glória...” disse mais envergonhada ainda apontando para a garrafa em minha mão.
“Me dê isso.” Ele pegou a garrafa, abaixou-se próximo ao meio-fio e o usou como abridor. “Perfeito.” Ele sorriu e me entregou a garrafa, em seguida abriu a dele.
“Obrigada.”
“É um prazer.”
Tomei um gole da bebida. Não era cerveja, parecia um coquetel de morango. Era bem gostoso, e o álcool era quase imperceptível.
“Isso é muito bom.” Disse.

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