“Ana...” meu pai olhou para minha mãe apaixonado. Por um instante me senti horrivelmente egoísta por ter pensado aquelas coisas todas de divórcio. Mas foi apenas por um instante.
“Ah Sérgio, faz tanto tempo...” eles se olhavam igualmente, e parecia que o resto do mundo não existia.
“Mas aqui estamos nós, e não vamos nós separar tão cedo.” Eles sorriram e deram um abraço seguido de um beijo longo.
Pigarreei e eles pararam.
“Vamos?”
“Claro, claro.” Meu pai sorriu. “Onde estão as malas de vocês?” eu apenas apontei. Minha mãe trouxe uma mala enorme, ela colocou algumas coisas minhas na dela, já que eu larguei metade das minhas coisas para ter uma desculpa pra voltar, Haha, como se fosse adiantar alguma coisa.
Meu pai pegou a minha mala e a enorme da minha mãe fazendo um grande esforço, eu ri disso.
“Ótimo, você está rindo. Talvez não seja tão difícil como estava esperando.” Minha mãe disse.
“Não empolga.” Fechei a cara novamente.
“Parei o carro no estacionamento, está muito frio lá fora.” Meu pai disse segurando as duas malas.
Fomos para o elevador e em seguida para o carro que cheirava a ar quente. Eu nunca havia cheirado um ar quente, mas para mim ar condicionado tem cheiro, ar quente também. Era uma mistura de menta com cigarros. Eu gostei.
Andamos pelas ruas tranqüilas e diferentes de Londres, passamos pelo rio Tamisa, até consegui ver a Tower Bridge, mas logo viramos em uma rua.
Não andamos muito e paramos em frente um prédio não muito sofisticado ao lado de um café seguido por vários prédios. Na esquina eu podia ver um dos famosos pubs ingleses.
Meu pai estacionou naquela rua tranqüila e desceu do carro, eu fiz o mesmo. Imediatamente senti o frio passando por mim, eu havia colocado um casaco bem grosso, mas não era o suficiente. Comecei a tremer.
“Está frio aqui, vamos subir, depois pego as malas.” Meu pai disse e fizemos o que ele mandou.
Subimos um lance de escadas e entramos no prédio de quatro andares. Tinha bem a cara de Londres, e o mesmo cheiro do carro do meu pai, menta com cigarro, porem aqui era mais forte.
Meu pai morava no primeiro andar, segundo apartamento à direita. Ele destrancou a porta de madeira e entramos.
Por incrível que pareça, estava tudo arrumado, bonito, um pouco vintage.
“A casa não é tão grande, sala, cozinha, banheiro e quartos.”
A cozinha era praticamente acoplada na sala, apenas um balcão grudado na parede a separava.
Fui andando pelo resto dos cômodos. Banheiro bem arrumado, quarto dos meus pais também, e o meu quarto. Eu não acreditei quando vi.
Era uma espécie de país das maravilhas da Alice, literalmente. Almofadas com estampas do Brasil, cores vibrantes, tudo bem caloroso. A decoração já era um cantinho do Brasil. E o Gato de Cheshire também estava lá, em cima da escrivaninha no canto do quarto. Eu sempre o amei, foi meu primeiro bichinho de pelúcia.
“Sua vista é a mais privilegiada, de dia verá melhor.” Meu pai disse e sorriu.
“Ah.” Eu disse enquanto ele saia do quarto. “E pai, obrigada pelo quarto.” Ele sorriu e se retirou.
terça-feira, 25 de maio de 2010
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