“Tente vir aqui amanhã nesse mesmo horário para resolvermos. Está ficando tarde.” Disse ele olhando para seu relógio.
Imediatamente me lembrei que o carro estava sem gasolina, precisava sair correndo dali antes que o sol começasse a nascer. Se eu estivesse com uma capa isso não seria um problema tão grande, mas não estava.
“Temos que sair rápido daqui.” Disse. Os Lumen também sofriam com a luz solar, mas não tanto quanto os Duntles.
Peguei a mão dele e saímos cuidadosamente da cabana. Quando estávamos quase chegando à beira da estrada algo passou por nós. Algo grande demais para ser um animal. Matthew se colocou a minha frente imediatamente. Ficamos parados olhando ao nosso redor, galhos faziam estalos. Pareciam ser passos, eles ficavam mais rápidos e mais próximos a cada instante.
Puxei o pulso de Matthew para fora da mata. Destranquei o carro o mais rápido que pude, e entramos. Tentei ligá-lo em vão. Vi uma sombra ficando cada vez mais definida pela janela, desesperadamente procurei por algo que servisse de arma, abri o porta luvas e encontrei uma lá. Valencia não havia procurado direito, eu realmente havia deixado uma arma no carro.
Abri um pouco a janela e apontei o cano da arma. A sombra sumiu antes que pude atirar. Respirei aliviada e fechei a janela.
“Temos que sair mesmo daqui Matthew. E o carro está sem gasolina.” Ele tentou ligar o carro duas vezes, e na segunda ele pegou.
“Deve ser algum mau contato, você deve olhar isso rápido.”
Dirigi para longe dali e parei o carro novamente.
“Essa coisa nunca havia chegado perto de mim.” Disse. “agora, que o vi...” suspirei. “Ele irá vir atrás de mim para apagar a prova de que ele ainda está à solta, matando Duntles sem dó nem piedade.”
Matthew segurou meus ombros e olhou bem nos meus olhos.
“Ninguém irá tocar em você.” Ele foi sucinto e sério. Não era necessário falar mais para perceber que conseqüências graves aconteceriam para quem tivesse a ousadia de tocar em um fio de cabelo meu. Isso me assustou um pouco, mas fiquei extremamente aliviada em ter mais uma prova de que ele se importava comigo. Não pude deixar de sorrir.
“Bom, onde irei deixá-lo?” perguntei.
“Aqui está bom. Volte para casa antes que esse carro estrague novamente.”
Ele segurou suavemente minha cabeça com suas mãos.
“Há algo que não disse a você, e preciso dizer isso há algum tempo, está me matando.” Ele olhou bem nos meus olhos, desta vez suave, quase aliviado. “Eu te amo.”
Congelei. Eu sempre pensava que essas três palavras eram só palavras, que não causariam efeito algum em mim. Mas eram palavras verdadeiras, onde não era a mente quem as pronunciava, e sim o coração.
“Eu te amo.” Respondi. Um ‘eu também’ não teria o mesmo efeito.
Nos beijamos. Eu aproveitei cada segundo o máximo que pude na situação que estava vivendo, um beijo sempre poderia ser o último.
Relutante Matthew saiu do carro e foi andando pela estrada, às vezes olhava pra trás. Acompanhei-o com o olhar até onde não pude mais.
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