terça-feira, 25 de maio de 2010

Secret Garden | Página 3 | Capítulo 1

Tomara que uma tempestade terrível comece assim que chegarmos no destino da nossa primeira conexão fazendo cancelar todos os vôos. Cruzei os dedos e me concentrei na música, que acabou me fazendo adormecer em pouco tempo.




Merda, merda, merda, grande merda. Nada de chuva, nem um pouquinho. E sim, eu cheguei a cidade gelada de Londres no aeroporto de Heathrow a quase meia hora, lá fora deve estar fazendo uns 7 graus. O fuso horário com certeza vai me deixar louca, mas de acordo com o relógio do aeroporto são exatamente 19h42min por aqui, nem lembro a hora que sai do Brasil, mas era madrugada.

Minha mãe está tentando ligar para o meu pai faz tempo, mas pela sua feição irritada, ela não está conseguindo. Levantei-me e fui até ela.

“Ele não está atendendo!”

“Você está ligando para o celular dele?” ela olhou para o papel em sua mão com dois números de telefone.

“Não sei.”

“Tente o outro número.” Ela me olhou e começou a discar, voltei para a cadeira onde estava sentada.

Eu podia ver, ela estava tão perdida quanto nervosa. Minha mãe não consegue atuar muito bem. Ela não queria viajar, mas seu coração falou mais alto. Droga de coração, não poderia ficar quieto?

Sei que é cruel da minha parte dizer algo assim, mas, eu estava torcendo para que o relacionamento dos dois aqui não desse certo, assim poderia voltar para a minha casa e viver perto de todos. Sim, eu sentia falta do meu pai, muito aliás. Mas a minha vida foi construída no Brasil, eu não podia largar tudo por causa de um relacionamento desmoronando por causa da distancia.

Se eu fosse maior de idade não estaria passando por essa situação. Poderia ficar em casa numa boa e fazer o que eu bem entender.

“Ele está vindo.” Minha mãe sorriu e sentou ao meu lado.

“Uhu.” Disse sem animação alguma.

“Os primeiros dias serão difíceis, mas sei que você irá se acostumar.” Ela sorriu para mim, mandei uma bitch face – meu ponto forte no momento.

“Seu pai decorou seu quarto.”

“Não sabia que meu pai tinha dons para isso.”

“Ele meche com arquitetura, deve ter colegas de trabalho que saibam lidar com isso...” Minha mãe reavaliou o que havia acabado de falar, e parece que a palavra colegas havia a incomodado.

“Com certeza ele viu isso em alguma revista por aí e fez para mim.” Disse meio amarga. Tomara que ela entenda o que eu realmente queria dizer com isso.

“Não ele não viu. É algo exclusivo, só seu Alice.” Ela sorriu, tentei sorrir de volta mas falhei.

“Mas como foi rápido!” minha mãe virou em direção a entrada do aeroporto. Lá um homem confuso com um pouco de barba crescendo e um óculos procurava por algo.

“Pai!” saí correndo em direção a ele a abracei o mais forte que pude. “Que saudade.” Podia sentir meu olho úmido.

“Alice!” ele se afastou de mim e me analisou de cima a baixo emocionado. “Como você está enorme!”

“Ela está mesmo enorme.” Minha mãe disse sem conter as lágrimas, o pior é que ela nem estava tentando.

2 comentários:

  1. me ensina a escrever assim? hahaha voce arrasa, guria! escreve mais, dos dois contos *-*

    ResponderExcluir
  2. AHUSHAUS obg amor! To escrevendo.

    ResponderExcluir