sexta-feira, 21 de maio de 2010

Secret Garden | Página 2 | Capítulo 1

Mas hoje em dia há solução melhor do que mudar sua vida drasticamente – literalmente – por causa de desventuras no casamento: O divorcio.


Amor a distancia é algo que não funciona, definitivamente. E é por causa desse conceito que não quero me mudar. Vou me distanciar muito das minhas amigas, e se algum dia eu voltar – o mais breve possível de preferência - já vão ter achado alguma pessoa interessante o suficiente para preencher meu vazio no grupo. E não são só as amigas, os meninos também!

Eu não namorava, nem pretendia. Mas admira-los era a minha tarefa predileta durante os intervalos da escola, e entre uns olhares e outros alguns beijos acabavam se misturando também, mas nunca tive nenhum relacionamento que chegou perto de ser sério.

Na minha concepção de vida namoro é o segundo problema mais sério que existe – o primeiro é casamento, claro. A parte de amar e ser amado parece até convidativa, mas a parte das brigas, ciúmes, medos e inseguranças são praticamente como uma placa de: Fique Longe! E por isso prefiro não me aventurar como minhas amigas, que depois de meses de namoro me ligam aos prantos desabafando coisas que eu nem consigo entender.

“Podemos embarcar agora.” Minha mãe surgiu do nada e disse.

“Eu estou me sentindo super confortável aqui, se quiser ir fique a vontade.”

“Vamos logo Alice, sem enrolação!” ela disse severa.

“Eu não quero ir!” gritei.

“Eu não disse que você tem escolha! Levante dessa droga de cadeira, pegue as suas coisas e entre no avião. Ou faço você ir a força sem mala, sem nada.”

Eu grunhi, e contra a minha vontade me levantei. Fui me arrastando por todo o trajeto, olhando tudo e todos de cara feia, e não dou a mínima se eles não gostarem, não irão me ver nunca mais mesmo.

“Melhore essa cara.”

“Aí você está exigindo demais.”

“Você não vê seu pai a tanto tempo... Deveria ficar animada.” Ela olhou para mim.

“Essa parte da viagem é interessante.” Suspirei entrando no avião e procurando meu lugar, o primeiro banco da direita, minha mãe logo ao meu lado. “Bom, seria interessante se eu fosse passar minhas férias por lá ou algo do tipo.” Continuei. “Mas não, eu vou me mudar pra lá.” Apertei meus olhos e coloquei minha mão na cabeça. “Eu ainda nem acredito nisso.”

Minha mãe não disse mais nada, apenas continuou lendo a revista, eu peguei meu player para ouvir alguma coisa e fazer passar o tempo. Na verdade, o que eu queria mesmo é que o tempo parasse, e apenas eu pudesse me locomover, sair do avião e voltar para a minha verdadeira casa.

Coloquei qualquer coisa para tocar, não estava me importando muito com isso. Mas incrivelmente a música me chamou a atenção. Aquela era uma música de uma banda bastante desconhecida que eu havia baixado por acaso a um tempo atrás. Era uma banda bem amadora, a qualidade do som não era lá muito boa, o que alegava que a banda não havia feito um CD em estúdio.

Qual era mesmo o nome? Apple Soup? Apple Sun? Não, não era isso... Ah sim, Apple Sour. Pelo sotaque do vocalista a banda parecia ser britânica, mas que coisa irônica. Irritada mudei a música para uma mais agitada de uma cantora famosa do momento.

Mas afinal, o que eu iria fazer durante essa viagem tão longa? Provavelmente faríamos conexões em alguns lugares, mas eu não fazia questão nenhuma de saber quais lugares. Estava tentando esquecer o lugar para onde estava destinada a ir neste momento, não queria adivinhar, muito menos perguntar por onde vou passar.

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