segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Secret Garden | Página 9 | Capítulo 3

Olhei para a janela. Era como o Gato de Cheshire, um sorriso estranho se misturava ao mistério. Eu poderia desvendar os mistérios do sorriso obscuro de Londres, ou podia continuar trancada em meu quarto. A primeira opção me parecia estranhamente sedutora. Não poderia me perder com um mapa em mãos.


Parei de tentar fazer argumentos para me convencer a tomar alguma atitude e peguei minha mochila. Enfiei nela minha carteira, minha máquina fotográfica e deixei o mapa em mãos. Peguei meu casaco impermeável, luvas e uma touca.

Saí sem dar muitas explicações a meu pai, mas pude ver um sorriso em seus lábios.

Comecei a andar para o ‘fundo’ da cidade. Mas quando cheguei a uma esquina já estava perdida, e eu não sabia ler mapas. Sim, eu poderia me perder com um mapa em mãos. Fiquei extremamente frustrada, mas não me deixei abalar, apenas voltei para a minha rua e fui para o Secret Garden.

“Alice minha querida, já está de volta ao meu lar?” disse Margot sorrindo.

“Sim, e vou querer o mesmo de ontem. E, ah, dessa vez eu vou te pagar.” Disse mostrando a bolsa. Ela deu uma risadinha relaxada e foi preparar meu pedido. Dei uma olhada em volta. Estava vazio. Havia apenas uma mulher ruiva concentrada nas páginas de um livro bebendo chá.

Margot voltou com o pedido e puxou assunto.

“Não me aponte como fofoqueira, mas aqui sabemos de tudo e todos. Então, o que foi aquilo ontem entre você e Carter?”

Bebi um gole do chá e fiz uma careta.

“Aquele garoto é estranho.”

“Poupe o coitadinho, ele está passando por tantos problemas.” Disse ela com uma feição de compaixão.

“É exatamente isso. Eu não o conheço e ele começou a desabafar comigo em forma de pedido de desculpas por ter me jogado no chão.”

“As pessoas agem meio que sem pensar na hora de uma descarga forte de sentimentos.” Pensei no que ela falou, e de algum modo ela estava certa.

“Bom, você tem razão.”

“Mas vamos parar de falar da vida alheia” Ela sorriu. “você está tão radiante hoje Alice, o que aconteceu?”

“Estou descobrindo o sorriso dessa cidade.”

“Como?” ela se divertiu com a minha informação.

“As coisas são misteriosas aqui. Há um sorriso nessa cidade, mas é algo meio oculto. Estou aos poucos desvendando esse sorriso.”

“Teve um momento de insight ontem? Não parecia animada assim.”

“Estou começando a me encontrar aqui Margot. Saí de minha casa com destino ao desconhecido, e o pior, contra a minha vontade. Sei que é infantil da minha parte me comportar assim, mas parece que foi essa minha infantilidade que me deixou curiosa.”

“Isso é ótimo.” Ela sorriu, tomei outro gole do chá.

Olhei para um calendário pregado na parede atrás de Margot e me dei conta de que já era dia 23, ou seja, amanhã já era véspera de natal.

“Meu Deus, preciso comprar logo os presentes.” Disse.

“Presentes?” Margot disse sem compreender.

“Para o natal. Amanhã já é a véspera.”

“Ah, sim.” Ela abaixou a cabeça, não parecia animada.

“Onde vai passar o natal?” perguntei cautelosamente.

“Aqui, juntamente com alguns outros que não tem companhia.”

“E sua família?”

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