sábado, 14 de agosto de 2010

Secret Garden | Página 10 | Capítulo 3

“Bom...” ela disse hesitante. “meu pai eu nunca vi, minha mãe mora em uma cidade distante, e meu irmão está no Brasil. Não tenho opções.”
Uma pontada de tristeza passou por mim. O que eu mais gosto no natal é poder estar junto de minha família. E Margot não tinha exatamente uma.
“Pode ir para minha casa se quiser.” Disse por impulso. Pude ver uma faísca de alegria em seus olhos.
“Não quero ser um incômodo para você e sua família em uma data tão especial. Mesmo assim, obrigada por se importar Alice.” A faísca continuava em seus olhos.
 Margot era doce, apenas saber que alguém se importava com ela já lhe trazia felicidade. Fiquei mais triste ainda por ela.
“Posso vir para cá então, trago minha mãe e meu pai junto.” Ela deu uma risada sem humor.
“Não se preocupe Alice, vou ficar bem. Afinal, este é o meu lar!” ela disse fazendo um gesto para o café a sua volta.
 Ouvi a porta se abrindo, e olhei para ver quem era.
 Era um homem alto, seus cabelos eram negros e bagunçados, tinham leves cachos, usava roupas elegantes que pareciam ser de grife. Ele olhou em minha direção, deu um sorriso torto e se sentou ao meu lado.
“O que quer aqui Burt?” disse Margot séria. O cara já segurava um copo de café.
“Apenas vim dar um oi Margot, sabe que adoro sua presença.” Ele deu uma piscada sensual. “e vi essa bela senhorita enquanto passava.” Ele se virou para mim sorrindo.
“Burton Morris.” Ele estendeu sua mão, eu apertei.
“Alice.” Apenas Alice estava de bom tamanho, ele não iria entender um sobrenome brasileiro, ainda mais algo como: Alice Águas Claras, ainda me pergunto de onde vem essa droga de nome.
“É um prazer Alice.” Ele pegou minha mão e a beijou se divertindo com o cavalheirismo desnecessário. “Posso te levar ao país das maravilhas se quiser.” Dei uma risada.
“Desculpe, essa cantada já está velha para mim. Tente outra mais tarde.”
“Bom, é uma pena que não se sinta bem com a minha presença.” Disse ele fingindo tristeza. Na verdade a presença dele era até agradável, ele era sexy.
“Não disse isso. Citei apenas sua falta de originalidade.”
“Wow.” Disse ele surpreso, em seguida deu de ombros. “se não lhe incomodo, acho que não há problema em ficar aqui.” Ele pegou um cigarro do bolso de sua calça, estava prestes a acender quando Margot o tirou de sua mão.
“Sem cigarros aqui.”
Ele riu secamente.
“Oh Margot, não sou o único que fuma aqui. Isso não é crime.”
“Sem cigarros e sem discussão.” Ela apontou para ele e jogou o cigarro no lixo. Um desperdício... Pensei. Como se eu já tivesse fumado antes...
 Uma vez uns amigos meus começaram a fumar em uma festa. Mais tossiram do que tudo, eu já havia bebido um pouco e só conseguia rir dos dois, não chegou nem perto de ser sexy. Mas Burton fumando... Isso deveria ser extremamente sexy. Imediatamente a imagem de Carter fumando me veio à cabeça, e impressionantemente eu gostei do que vi. Não entendi exatamente porque ele me veio à cabeça, só sei que gostei.
 Estaria eu louca?
Balancei a cabeça para expulsar a imagem.
“Acho que já vou embora Margot.” Disse.
“Mas já?”
“Sim... Ahm... Meus pais devem estar preocupados.” 

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