Acordei com a chuva batucando incessantemente a minha janela. Droga, pensei que poderia ficar dormindo eternamente.
Levantei e vesti uma roupa quente, ainda era cedo. Meu pai estava sentado à mesa bebendo café e lendo jornal, ele olhou para mim.
“Bom dia.”
Resmunguei algo em resposta que deveria ser um bom dia.
“Que tal comprar algumas coisas para você comer? Faz tempo que não te vejo, não sei se seus gostos são os mesmos. Há um mercado do outro lado do quarteirão, você poderia dar uma passada por lá.”
Eu não estava nem um pouco afim de sair de casa, mas fazer o que?
Peguei o meu cartão e fui para onde ele havia indicado.
Por lá a surpresa: Carter, o garoto estranho que havia me empurrado no meio da rua e que se irritou comigo por não compreende-lo.
“É o fim.” Disse para mim mesma.
Fui pegando qualquer coisa e colocando na cesta de compras o mais rápido possível. Eu queria sair dali logo.
Mas dessa vez fui eu quem esbarrei nele na hora de ir para a fila pagar as minhas compras. Ele se virou pra mim, e quando viu de quem se tratava deu uma risadinha.
“É claro que tinha que ser você.” Ele estava acompanhado de uma menina magrela de cabelos castanhos e longos, maquiagem pesada e olhos azuis. Deveria ser a tal namorada dele.
“Quem é ela?” a garota perguntou desconfiada com uma voz embolada.
“Te explico depois.” Ele disse. Pagaram o que tinham que pagar e saíram do mercado calmo e pouco movimentado no momento.
Soltei o ar aliviada. Parece que essa cidade conspira contra mim.
Comprei qualquer coisa que vi pela frente e saí do mercado em direção ao apartamento. Será que ele morava no mesmo prédio que eu? Isso seria o cumulo.
Comi e logo fui para o quarto. Meu primeiro dia vazio e cheio de tédio na gélida cidade de Londres me chamava. Gritava meu nome incessantemente: Venha Alice, vamos nos divertir! Faça seus olhos enxergarem o que não querem. Podemos virar melhores amigos.
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