Ao que parecia, ele não iria me responder. Mas assim era melhor, pois uma resposta poderia tornar as coisas mais dolorosas ainda. Respirei fundo na tentativa de me acalmar, mas obviamente foi em vão. No momento, a única informação sensata que o meu cérebro me enviava era: vá embora.
Mas eu não queria ir embora. Eu estava aguardando uma explicação, uma risada e uma frase do tipo: “Eu estava brincando sua boba! Não é que você caiu direitinho?” seguida de um beijo e um abraço. Mas a seriedade de Burton já era suficiente para me mostrar que isso não iria acontecer, que a realidade era aquela, dolorosa, horrível, e o pior de tudo: esperada.
Não havia como negar, todos me alertaram a respeito do caráter de Burton, mas confiei em mim mesma, no meu coração. Vai ver todos os seres humanos são assim, só aprendem a lição quando experimentam e se machucam.
Pensando por esse lado, a culpa não era de Burton, e sim minha. Eu fui a idiota cega e surda, e ele simplesmente agiu fazendo jus a sua horrível personalidade. Ele me fez acreditar que comigo seria diferente, eu me senti segura e me entreguei. Parece clichê não é mesmo? A velha história da menina que se apaixona pelo cara errado, acredita que o transformou, mas no final ela acaba sendo usada, magoada, acabada; e ele permanece intacto, apenas aguardando por sua próxima ingênua vítima. A garota pode ser bastante confiante com aquelas promessas para si mesma de que nunca cairá em uma historia assim, mas o teatro dele é bom o suficiente para enganar a todas. Como foi comigo.
“Eu não consigo acreditar que seu cinismo foi tamanho a ponto de dizer ‘eu te amo’. Para você essas palavras devem ser extremamente banais não é mesmo?” eu não suportei, as lágrimas fluíram, foi como uma represa se abrindo.
“Alice, isso não é verdade” ele tentou tocar o meu ombro, mas desviei com violência.
“Não é verdade?” eu cuspi as palavras com raiva “Burton, olhe só para você! Se preocupou em fazer uma droga de plano, em fazer o timing perfeito para que Carter nos surpreendesse na hora exata e você pudesse exibir o seu troféu.” Eu limpei o meu rosto enquanto soluçava. Obriguei-me a olhar para os olhos dele para que ficasse claro: “Tenho nojo de você.”
Ele parecia estar amargurado, parecia mesmo estar sofrendo. Mas eu não cairia na sua atuação novamente.
“Eu entendo que você esteja magoada e não é por falta de motivos. Eu até poderia tentar explicar agora, mas você não compreenderia. Espero que, algum dia, você me perdoe e volte a acreditar em tudo o que eu lhe disse, pois jamais menti para você, Alice.”
Dei uma risada cética e sem humor algum. Ele permanecia sério. Daqui em diante, eu duvidaria de qualquer palavra vinda da boca de Burton. Bem, na realidade eu evitaria ao máximo ouvir qualquer palavra vinda dele. Eu deveria obedecer ao meu cérebro e ir embora.
Limpei o meu rosto e virei-me para ir, ele não disse nada, nem mesmo me impediu, simplesmente deixou que eu fosse. Quando alcancei a metade do caminho entre a porta do quarto e o elevador, virei-me novamente, algo precisava ser dito:
“Parabéns por mais um jogo vencido Burton. Digo ‘mais um’, pois sei que esse não é o primeiro. Você joga bem demais para ser um iniciante.” Engoli a seco e prossegui “Você conseguiu o que queria: ostentar a sua vitória. Agora, a sua peça principal sai de campo acabada. Mas não é problema, não é mesmo? Você rapidamente irá encontrar outra.”
Entrei no elevador, e quando as portas se fecharam eu compreendi que ainda não possuía conhecimento sobre o que era chorar excessivamente.
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