quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Secret Garden | Página 101 | Capítulo 23

Antes de ir embora naquela noite, Margot havia me aconselhado a ligar para as minhas amigas do Brasil para poder falar sobre todos esses acontecimentos recentes, desabafar, e pedir conselhos, já que, segundo ela, elas deveriam me conhecer melhor. Depois de um tempo pensando a respeito, eu acabei me dando conta de que ela estava certa. Fazia muito tempo desde a última vez em que me comuniquei com elas, e era justo que soubessem sobre isso. Mas, antes de ligar para alguém, fiquei receosa. Havia muita coisa a ser contada, e será que elas compreenderiam?
Depois de passar todo o tempo da minha aula de ontem pensando sobre isso, cheguei à conclusão de que: elas teriam que saber uma hora ou outra, então que fosse o mais rápido possível para evitar prolongar a conversa. Liguei para Grazi assim que a aula acabou, e disse rapidamente, sem dar tempo para ela começar a falar coisas doces e em seguida fingir que está brava por eu ter deixado de entrar em contato durante tanto tempo:
“Fale para todas as meninas entrarem amanhã na conta do Skype que costumávamos usar na nona série por volta das cinco da tarde no horário brasileiro. Sem tempo para explicações, tenho que desligar.” E desliguei.
Pareceu uma daquelas coisas cinematográficas de pessoas que estão tentando salvar o mundo ou roubar um banco, mas foi exatamente assim. Eu não sei se daria certo, até porque temia não lembrar mais a senha daquela antiga conta, e provavelmente as minhas amigas passariam pelo mesmo problema.
Peguei o meu computador, fiz o download do Skype, coloquei o username (porque nunca me esqueceria de algo como: Alicinha_AC) e coloquei a mesma senha que usava em outras redes sociais – hoje, inativas. Por sorte, estava tudo certo.
Olhei os meus antigos contatos e me lembrei das pessoas da escola, não havia ninguém online. As pessoas conseguem sumir e se desligar de tudo em tão pouco tempo... Pensei, e então ri. Não porque eu achava engraçado, mas porque era ridículo dizer algo assim, quando eu fazia parte desse grupo de pessoas. Uma parte notável, eu deveria dizer.
Eu havia mudado de país, de continente, de vida, e não me dei ao trabalho de dizer nada a ninguém que não fosse tão relevante como as minhas amigas eram. Pessoas normais ligariam para todos, deixariam a noticia correr. Mas eu? Eu não fiz nada. Os irrelevantes que sabem, ficaram sabendo por outros, não por mim. Talvez as outras pessoas em uma mesma situação que a minha, contassem porque era algo a se orgulhar, era algo que as deixava feliz, e eu não estava, eu não queria falar sobre isso.
Mas quer saber? Eu estou certa. Não devo satisfações a nenhum curioso que pensa que sabe algo a meu respeito. Eu sei quem merece saber o que se passa na minha mente e na minha vida, e é exatamente por isso que estou neste momento esperando por minhas quatro melhores amigas.

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