quarta-feira, 20 de abril de 2011

Secret Garden | Página 77 | Capítulo 18

“Tudo bem, vou descansar como você disse e depois te procuro” dei um pequeno sorriso “Você deveria fazer o mesmo... Ficou dirigindo a noite toda”
Ele fez que sim com a cabeça, sem mostrar muita preocupação com seu cansaço.
Eu deveria agradecê-lo por me trazer até aqui, então meio sem jeito me aproximei e o abracei devagar. Ele parecia surpreso, mas depois de um pequeno tempo retribuiu o abraço.
“Muito obrigada por me trazer até aqui, eu provavelmente nunca teria uma oportunidade como essa na minha vida” isso parecia forçado e dramático demais, mas era completamente verdadeiro.
“Sempre que quiser, Alice” sentia seu polegar afagar minhas costas de forma suave e quase imperceptível, seus braços estavam firmes ao meu redor e eu sentia o cheiro de sua fragrância, também conseguia sentir sua respiração passar pelo topo de minha cabeça, ela era calma mas ao mesmo tempo tremula. Estranhamente, eu me sentia confortável ali de uma forma que nunca me sentira antes, e tive que ajuntar todas as minhas forças para me desprender dele.
Completamente envergonhada, dei um sorriso fraco. Me despedi e fui em direção ao elevador. Enquanto o esperava chegar, olhei para Burton com o canto do olho. Ele olhava para mim com um meio sorriso. Quase não percebi, mas uma mulher estava me acompanhando e pela maneira como ela estava vestida provavelmente trabalhava no hotel. Ela sorriu para mim e disse que apresentaria meu quarto. Eu estava tão atônita que não dei muita importância para isso.
A porta do elevador antigo se abriu e eu entrei, quando ela se fechou novamente, tomei uma golada de ar sem ligar para a mulher rígida e artificial ao meu lado. Percebi que minha respiração estava alterada assim como a temperatura do meu corpo, minhas mãos estavam suando.
Alice, você está louca? Como você pode ficar assim pelo Burton? Eu não sabia. Ele deve ter feito algo comigo enquanto dormia, porque sempre julguei impossível me sentir assim por ele.
A porta do elevador se abriu e segui a mulher até uma porta dupla de madeira entalhada com maçanetas douradas e reluzentes. Ela abriu as portas de uma forma quase teatral enquanto me dava as boas vindas e falava um pouco sobre a historia do quarto. Não me preocupei em escutar, afinal quase caí dura quando vi o interior do quarto. Deveria haver algum engano... Aquilo tudo não podia ser para mim. Entramos e a moça continuava falando em minha cabeça. De uma forma não muito educada, – e provavelmente nem um pouco admirada pelos britânicos – a interrompi agradecendo e pedindo que ela se retirasse. Ela quase engasgou com o meu tom, mas obedeceu.
O quarto deveria ser maior do que a minha casa. A cama era maior do que a minha e a dos meus pais juntas, o banheiro provavelmente deveria ser maior do que o meu quarto. E a decoração era absolutamente linda, cheia de dourado bege e um pouco de vermelho. Meu pai com toda a certeza surtaria aqui dentro. Era tudo clássico e maravilhoso como nos filmes e nas séries de reinos. Se alguma família real morou aqui, com toda a certeza esse quarto era de alguém bastante importante, a camareira – ou seja lá o que era – explicou a respeito disso, mas entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Coloquei o cartão e o envelope em cima de um guarda-roupa de madeira, fui correndo para a cama com dossel que tinha um enorme véu aveludado vermelho-vinho, ele chegava ao teto, assim como as camas das rainhas e princesas da antiguidade. Quando era criança sempre sonhei em ter uma cama assim; na verdade acho que toda garota já sonhou ter uma cama assim na infância.

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