O sol incomodava meus olhos, mas ele estava tão fraco que não chegava a me queimar. Lentamente abri os olhos com medo do estado que me encontraria quando me olhasse no espelho, e, ainda bem que tenho uma caixa de chicletes de menta guardada na minha bolsa.
“Bom dia flor do dia” disse Burton um pouco animado.
“Já chegamos?” perguntei enquanto procurava pelo chiclete em minha bolsa.
“Estamos quase lá” ele deu uma olhada mais profunda ao redor “quase mesmo”
Encontrei o chiclete, o desembrulhei e coloquei na boca. Embolei o papel e o joguei na bolsa. Quando levantei minha cabeça pude ver um grande e gracioso castelo ficando cada vez mais próximo. Do pouco que podia ver, conseguia perceber que ele era lindo e delicado apesar de seu tamanho também era um pouco diferente dos outros castelos que eu conhecia, parecia seguir aquele estilo artístico que estudara em história da arte há alguns anos, qual era mesmo o nome? Acho que Art Nouveau... Algo assim. Eu estava maravilhada, nunca vira algo que chegasse perto disso antes.
“Incrível, não é?” disse Burton alternando o olhar entre mim e a estrada.
“Mais do que isso. É praticamente indescritível” apesar do frio e das árvores nuas, o castelo com aquele sol pastel me fazia sentir como se eu estivesse em plena primavera. Havia me esquecido de como o sol era tão bom “Você já veio aqui antes?”
“Não, fui a outro hotel assim quando era criança, mas esse é muito melhor”
Pensei que fosse impossível, mas quanto mais nos aproximávamos dele, sua estatura e beleza aumentavam. Olhei em volta, e vi que a estrada também era de uma beleza incrível, parecia que tudo aquilo era mágico e construído por seres místicos de historias infantis.
Estávamos na frente do castelo, e apesar do frio a grama e as flores do jardim estavam bem vivos, e isso deixava a paisagem levemente campestre. Burton estacionou o carro e um manobrista veio em sua direção, ele entregou as chaves e saímos do carro. Outro homem abriu o porta-malas, pegou nossas malas e em seguida o fechou, o manobrista acelerou e foi com o carro para algum lugar que eu desconhecia.
Entramos na recepção, e a cada segundo me maravilhava mais. Era como se eu estivesse em um filme de séculos atrás. Era tudo tão dourado e bege com linhas tão delicadas... Haviam quadros enormes de pessoas elegantes e provavelmente importantes na época em que ainda eram vivos.
Burton começou a falar com a recepcionista, e pouco tempo depois ele voltou com dois envelopes na mão.
“Isso é seu” ele me entregou um dos envelopes “e isso é meu” e ficou com o outro.
Mordi o lábio inferior encarando o envelope que continha a chave do quarto com uma dúvida em mente.
“Burton, os quartos são separados?”
Ele fez que sim com a cabeça enquanto colocava os óculos de sol estilo aviador clássico na gola de sua camisa preta. Fiquei bastante aliviada ao saber disso.
“Acho que você deveria descansar um pouco agora, o carro não é o melhor lugar para dormir. Tenho certeza de que você não teve um bom sono, estava extremamente inquieta” ele me observou dormir? Que coisa estranha. Muito estranha. “no final da tarde pretendo jogar arco e flecha, se você quiser aparecer por lá...”
“Eu não sei jogar isso” disse rindo.
“Sem problemas, eu te ensino” ele deu um meio sorriso.
Eu estava impressionada com essa doçura instantânea de Burton. Até agora ele ainda não havia exibido seu sorriso sarcástico ou feito alguma piada irônica. Ele estava levando a sério essa coisa de aposta. Estava começando a ficar com medo do que ele me pediria caso ganhasse. Antes achava que isso era impossível, mas agora estou começando a ponderar a possibilidade.

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