segunda-feira, 28 de junho de 2010

Secret Garden | Página 6 | Capítulo 2

“Não conseguiu escrever Cart?” Margot disse olhando para ele.


“Nada. Estou tentando faz três dias.”

“É, tenho observado. E Constance? Ela não veio mais...”

“Problemas.” Ele olhou diretamente nos olhos de Margot.

“Aqueles mesmos?”

“Exatamente.”

“Acho melhor mudar de assunto.”

“Eu também acho.” Ele disse e riu sem humor.

“Temos uma cliente nova!” Margot sorriu e eu arregalei os olhos, o que ela estava fazendo?

“Legal...” ele disse revendo os papeis em suas mãos.

“Ela é brasileira Carter.”

“Deve conhecer seu irmão.”

“Não, não conhece.”

“Hmmm... é uma pena.”

Ele continuava olhando os papeis, até que uma hora embolou tudo e jogou no lixo mais próximo.

“As coisas estão realmente ruins pelo o que estou percebendo.” Margot disse olhando preocupada para ele.

“Muitas coisas andam acontecendo, você sabe disso.” Ela apertou os lábios.

Não estava me sentindo confortável escutando a conversa dos outros, mas também não queria ir para casa. Isso soava tão estranho...

“Margot.” Disse quase sussurrando, ela veio até mim. “Como eu disse antes, sou do Brasil, eu literalmente acabei de me mudar, ainda não troquei o meu dinheiro, o que eu faço?” sorri meio que pedindo desculpas.

“Mas o que é isso? É claro que esse seu primeiro pedido no Secret Garden é por conta da casa!” ela sorriu.

“Não, não. Vou te pagar, mas agora não posso. Eu moro logo aqui do lado, sei que vou vir aqui por mais vezes, então da próxima acerto tudo com você.”

“Aceite meu presente de boas vindas Alice.” Ela deu um sorriso doce. “Quero que você se sinta bem por aqui.” Ela pegou a minha mão. “Irei sempre te ajudar ok?” eu sorri um pouco sem graça.

“Tudo bem então, mas um dia irei te recompensar por isso.” Ela riu.

“É apenas um chá e um biscoito, feitos de coração é claro, mas não é necessário uma recompensa.” Ela piscou. Eu acenei e me levantei saindo do café Secret Garden.

Estava chuviscando, era hora de me acostumar com aquele tempo frio e sem graça de Londres. Eu estava vestindo uma roupa bem quente e impermeável, então não haveria problemas em ficar mais algum tempo observando a cidade, até porque isso daria algum tempo a mais de privacidade aos meus pais.

Fiquei parada em frente ao meio-fio observando as luzes da cidade. Era tudo tão calmo quieto e tranquilo por aqui. Senti uma brisa suave e gelada passando pelo meu rosto, a sensação foi boa, mas no mesmo instante algo me empurrou para a rua me fazendo cair no chão. Era o cara que estava no café conversando com a Margot, ele estava falando no celular, olhando assustado para mim e segurando um copo com café.

“Não olha por onde anda não?”

“Tenho que desligar Constance.” Ele disse isso e guardou o aparelho em seu bolso. “Desculpe-me, eu não vi você aí.” Ele jogou o copo no lixo e me estendeu uma de suas mãos. Eu ignorei e me levantei sozinha.

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