Minha barriga roncou bem alto, poderia acordar a vizinhança... De repente a imagem daquele café me veio a cabeça. Tudo do que eu precisava agora era de chá e alguns biscoitos. Chá? Ah meu Deus, já estou virando uma inglesa.
Minha mãe olhava o resto da casa e meu pai havia ido pegar as malas no carro. Saí do prédio e encontrei com o meu pai, aproveitei e avisei a ele onde estava indo.
Agora o cheiro era modificado, mistura de café com cigarro, livros, e música baixa. Era um clima agradável. Por lá se via mesinhas redondas de dois lugares, poucas ocupadas, sofás na parede e um balcão com banquinhos vazios. Sentei-me em um desses banquinhos e li o cardápio que se encontrava em baixo do vidro do balcão, que original.
“Um English Afternoon e um cookie de chocolate.” Tantos anos de inglês na minha vida realmente serviram para algo. Eu quase falava fluentemente, quase.
“Claro.” A balconista disse com seu sotaque britânico e sorriu para mim. Ela entrou em uma porta e pouco tempo depois voltou
“Sua água está fervendo.” Eu sorri, ela estava me encarando. Eu era uma aberração tão grande assim?
“Desculpe perguntar, mas você não é daqui é?”
“Não, eu não sou...” disse um pouco tímida.
“Reparei pelo seu tom de voz e sua pele bronzeada. Não há como pegar sol aqui.” Ela riu. Eu tentei rir, falhei. “E também reparei porque nunca vi você por aqui, e as pessoas que vem, sempre e sempre vieram aqui, sei a historia de cada um.” Ela sorriu.
Olhei em volta, não havia muitas pessoas, apenas um homem sentado em uma mesa com um laptop, um senhor bebendo uma xícara de chá relaxado, e outro homem – bem mais jovem que os dois outros - concentrado em uma folha de papel tentando escrever algo, ele me chamou a atenção, parecia impaciente, esperando por algo que não chegava a ele de forma alguma.
“Meu irmão foi fazer intercambio no Brasil sabia?” ela olhou para mim alegre. “Ele está achando o país muito diferente daqui, diz que está quase derretendo ao sol.”
“Eu sou do Brasil.” Um sorriso invadiu o rosto da garçonete, que pelo o que o nome em sua blusa indicava, se chamava Margot.
“Espere, espere, vou pegar seu pedido e volto! Temos o que conversar.” Ela já ia entrando na porta novamente, mas se virou para mim. “Qual é seu nome mesmo?”
“Alice.” Eu disse e ri. Gostei da personalidade dela, sorte a minha encontrar alguém assim de cara por aqui.
Avaliei mais o lugar, nenhuma mudança. Apenas o homem que escrevia parecia estar mais irritado, porem continuava lá. Eu com certeza teria me estressado e explodido.
“O Brasil parece ser ótimo. Ele está gostando de lá, mas ainda não conseguiu se acostumar com o clima.” Margot disse e colocou o meu pedido a minha frente, isso me fez lembrar que eu me esqueci de trocar o dinheiro com o meu pai.
“É o clima é bem diferente do daqui.”
“Eu poderia pegar um bronze.” Ela disse olhando para suas mãos. Eu ri.
“Você ficaria no mínimo como um camarão.” Ela olhou pra mim decepcionada.
“Você acha?”
Balancei minha cabeça afirmativamente e bebi um gole do chá. Estava quente, muito bom. Assim que coloquei a xícara sobre a mesa ouvi um barulho de cadeira se arrastando. Era o garoto que escrevia, ele havia se levantado e foi se sentar no balcão onde eu estava a um banco de distancia.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
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Nossa sua historia é d+++ parabénss!!!
ResponderExcluirEspero que você não se importe, mas divulguei seu blog lá no meu se você quiser ver é só entrar nesse link:
http://ficswebes.blogspot.com/
Não me importo amor! Obg por divulgar ;)
ResponderExcluircake!! nao sei se lembra de mim mais pq vc paro de postar no a little girl with a big secret?
ResponderExcluirLembro de você sim Nathalia. Os motivos são diversos, te explico melhor por email, ok? cakee.e@hotmail.com
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