sexta-feira, 30 de abril de 2010

Crenças Selvagens | Página 17 | Capítulo 2

Jeff, eu não sei como não percebi o que ele era. Passei tanto tempo junto a ele, era meu dever perceber isso.”
“Sabe por que não percebeu Justine? Porque o que você sentia era forte demais para te mostrar o que você não queria ver.”
“De qualquer forma, isso não é bom.” Ele ficou pensativo.
“Por um lado é sim, isso mostra que o que você sente por ele é real. Por outro lado é horrível, porque ele é seu inimigo natural, você não pode se juntar a ele. Precisa achar outra pessoa.” Quando ele pronunciou o ‘outra’ pude vê-lo estufando o peito e dando um sorrisinho. Aquilo estava ficando estranho.
“Bom Jeff, muito obrigada por sua ajuda, mas tenho que ir.” Sorri e saí rapidamente do quarto.
 No topo das escadas encontrei com Valencia.
“Estava descendo para pagar o Hanzi.” Ela sorriu.
“Duvido que ele vá aceitar seu dinheiro.”
“Vou só fazer papel de boa moça, fique calma.” Fui atrás dela para a sala de Hanzi.
 Havia várias pessoas por lá, pegamos a conversa, parecia estar no inicio.
“Hanzi, enquanto você esteve fora outro assassinado aconteceu.” Disse Michael, Hanzi colocou as mãos na cabeça. “Mas felizmente conseguimos seguir o cara. Chegamos a esse endereço.” Ele entregou um papel a Hanzi.
“Não entraram lá? Não fizeram nada?” disse Hanzi irritado.
“Não, só havia eu e Paul no carro. Apenas passamos pela porta, havia muitos caras armados por toda parte.”
“Irei verificar isso mais tarde.” Disse, e com um gesto dispensou os homens.
 Valencia entrava na sala quando a segurei pelo pulso, ela me olhou sem entender.
“Temos o que fazer hoje à noite.”
“Você está pensando em fazer o que eu estou pensando que você está pensando?”
“O quê?” disse fazendo uma careta. “Fale com Hanzi e depois vá para o quarto, estarei te esperando lá. Ah, tente pegar o endereço. Não tenha medo, confie em mim.”
Ela balançou a cabeça e entrou no escritório.


“Não acredito que estamos fazendo isso.” Ela disse apertando o volante.
“Pegou as armas?”
“Peguei.” Ela respondeu grosseiramente.
“Sei que você não me deixaria vir sozinha.”
“Você é uma idiota Justine.”
 Olhei novamente para o endereço em minha mão – Valencia conseguiu pega-lo da mesa de Hanzi, copiei em outro papel e devolvi o seu original ao local de origem – e ele me levaria a algum lugar no meio da estrada, que incrivelmente era a mesma estrada onde a mansão ficava.
 Andamos por algum tempo até chegar a uma casa de dois andares, parecia completamente vazia. Podia ver a feição espantada de Valencia, ela parou o carro na beira da estrada. Peguei minha arma, posicionei meu dedo no gatilho e abri a porta do carro, Valencia fez o mesmo.
 Fui em direção a porta da casa, hesitante abri a porta. Estava destrancada. A casa estava coberta pelo escuro, talvez se me transformasse pudesse enxergar melhor, foi o que fiz. As coisas ficaram mais nítidas, e pude ver que não havia ninguém naquele local. Era uma sala estranha, coberta de mesas com aparência gélida. Uma grande escada pousava levemente em um canto da sala, mas de leve ela não tinha nada, era feita de mármore e fazia uma leve curva. Ela não combinava com a casa.   

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