sábado, 20 de março de 2010

Crenças Selvagens | Página 1 | Capítulo 1

Passos bem definidos pelos grandes corredores da casa de luxo no meio do nada. Todos estavam ali por uma mesma causa, uma causa suja, feroz e... Cobiçada. Era raro a ponto de ser cobiçado, raro a ponto de ser questionado, mas eu estava ali vendo tudo, era a prova viva de que tudo aquilo era real, não apenas eu, mas todos os presentes ali; dezessete pessoas com idades bem distintas. Apenas uma garota aparentava ter a mesma idade que eu, um pouco mais nova talvez, dois anos no máximo.

Mas isso já se faz anos, na época em que as coisas ainda eram ‘fáceis’. Preocupações? Apenas com os inimigos que já não nos atacam a muito tempo, tempo demais eu diria. Talvez por falta de armas, ou por falta de estratégias. Saberíamos pelo nosso informante, se ele estivesse vivo.

“Já é o segundo por hoje.” Valencia disse re-lendo a carta que recebemos logo pela manhã informando a morte de Mark.

Deveríamos desconfiar dos Lumen – nossos inimigos por natureza, por instinto, por tudo – mas insistiram que não fizeram nada, e orgulhosos como são, admitiriam.

“Os Lumen devem ter parte nisso, com alguma arma bem bolada.”

“Não foram eles Valencia.”

“Você não sabe, não vimos os corpos. Podem ter matado com armas, friamente. Todos foram enterrados com os caixões fechados.”

“Isso não vai de acordo com o principio deles. E os princípios são uma das principais diferenças entre nós.”

“É verdade.” Ela se sentou no sofá e ligou a televisão, eu não estava preocupada em assistir telenovelas no momento.

Deveria haver algum modo de entrar na sala onde guardavam o corpo. Eu poderia fazer uma análise, já havia feito isso uma vez antes e detectei coisas que as pessoas que são pagas para isso não haviam chegado nem perto de ver. Mas havia sim como ir lá.

“Que horas são?”

“Cinco para meia noite.”

“Ótimo.” Era hora deles se alimentarem, não haveria ninguém por lá, apenas as câmeras. Mas isso não é um problema, não para mim.

Fui em direção a porta, ela estava trancada. Valencia a mantinha assim caso algum Lumen ou alguém resolvesse entrar, eu respirei fundo e tentei entender o raciocínio dela.

“Valência me dê a chave da porta, antes que os médicos voltem.”

Ela me jogou a chave que estava guardada em seu bolso. Antes que eu pudesse abri-la Valencia pigarreou com um ar sério.

“Você não vai mesmo dar uma olhada em cadáveres, vai?”

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