sábado, 20 de março de 2010

Crenças Selvagens | Página 6 | Capítulo 1

A festa anual dos Mestres. Era a melhor época do ano para todos os Duntles jovens assim como eu. Os velhos se reuniam para tratar dos assuntos deles, enquanto os jovens aproveitavam a liberdade para fazer a festa. Acontecia de tudo nessas festas.

“Depois penso sobre isso.” Hanzi disse. “Deixei dois guardas na porta, qualquer coisa chame-os.”

Ele se virou e saiu pela porta fechando-a. Olhei para Matthew, completamente dopado e jogado na cama. Nem parecia que alguma hora ele iria acordar. Sentei-me no sofá e peguei um livro que estava na mesinha de centro em frente a ele.

Um romance qualquer, apenas abri e comecei a ler...

Li umas 24 páginas pude ouvir Matthew se mexer na cama, rapidamente me virei para ele, olhando cautelosamente. Ele estava se levantando aos poucos, um pouco grogue.

“Onde eu estou?” ele disse com uma voz embriagada.

“A salvo.” Ele me analisou, então apontou para mim horrorizado.

“Foi você!” eu não tinha medo dele.

“Fui eu. Mas você está vivo não está? Isso é o que importa.”

“Sua vadia.” Ele disse e caiu novamente na cama.

“Obrigada.” Disse e voltei meus olhos para o livro.

A historia estava realmente tediosa, era algo que qualquer um poderia deduzir o final, depois de tantos problemas, os dois terminariam juntos. Típico. Matthew estava se movendo novamente.

“Vai acordar ou não?” disse. Ele se sentou na cama com uma mão na cabeça.

“Ai.” Moveu a mão para o seu pescoço, e sentiu a cicatriz do estrago que eu havia feito. O veneno tinha um efeito cicatrizante, por isso o machucado estava quase bom.

“Desculpe-me por isso.”

“Não tem importância.” Ele disse, fiquei impressionada.

“Sofre de algum distúrbio bipolar? A pouco tempo você me chamou de vadia.”

“Não tem importância agora, já está feito, não há como reverter.”

“Ah...” era obvio que ele não falou o ‘não tem importância’ para eu não me sentir culpada.

“O que está havendo?” ele me olhou nos olhos. Parei para analisá-lo, ele não era tão feio...

“Nem eu sei o que está acontecendo, e isso não é nada bom.” Geralmente eu sabia de tudo que acontecia por aqui.

“Eu não estou entendendo mais nada. Posso ir para a casa? Eu só quero isso.” Ele disse. Sabia que isso ia acontecer, eu precisava dar mais calmantes a ele. Não que eu quisesse fazer isso, de forma alguma – os calmantes faziam muito mal. Mas ele precisava, estava ainda muito confuso e eu não podia explicar nada no momento, precisava ver com Stan o que realmente aconteceu, assim poderia falar a Matthew tudo.

“Estou com fome.” Ele disse.

“Vou preparar algo para você.” Disse e me levantei em direção a cozinha, abri o refrigerador e peguei uma bolsa com sangue. Depositei tudo em um copo e junto coloquei meio comprimido de calmante que havia encontrado em uma gaveta por ali. Sempre deixavam um por perto, Duntles rebeldes eram bem comuns.

Fui para a sala e entreguei o copo a ele que sem pensar tomou tudo ferozmente.

“O que foi isso que acabei de beber?” ele disse.

“Algo que fará bem a você.” Eu não podia dizer: ‘sangue. ’ Se dissesse... nem sei o que ele seria capaz de fazer.

Poucos minutos foram suficientes para ele cair no sono, e eu ficar livre para sair dali. Foi o que fiz, fui diretamente para a sala de Stan.

“Olá Justine.” Ele disse sem tirar os olhos do computador, parecia estar me esperando.

Nenhum comentário:

Postar um comentário