sexta-feira, 8 de julho de 2011

Secret Garden | Página 90 | Capítulo 21















Passei um batom vermelho, fiz um rabo-de-cavalo alto com meus cabelos permanentemente naturais daqui em diante, arrumei meu cachecol, coloquei meu clubmaster - recém-descoberto na mala de viagem, provavelmente era do meu pai. Agora eu estava preparada para a viagem de volta, mas isso não significava que eu queria voltar.
Eu era outra pessoa.
A Alice Solitária havia morrido, dando seu espaço no mundo para a Alice Amada, Alice Confiante, ou seja lá o que fosse. Eu havia assumido a minha mudança completa de identidade; chega de lamentação por sentimentos diferentes, gostos diferentes, descobertas diferentes. Não existia motivo para lamentação, eu gostava da minha nova eu, me sentia verdadeira comigo mesma, com as pessoas, com meus sentimentos. Eu estava mais feliz do que nunca.
A porta do elevador se abriu, Burton esperava por mim encostado no carro com uma feição irresistível. Caminhei até ele com meu sorriso involuntário, o beijei na bochecha e deixei uma marca avermelhada em formato de boca. Havia o pegado de surpresa, mas ele logo se recompôs passando o braço em volta de minha cintura.
“Você está irresistível” ele sussurrou.
“Então nós estamos irresistíveis” sussurrei de volta enquanto ria e esfregava a bochecha dele gentilmente para tirar aquela mancha, ele colocou a mão em cima da minha.
 “Esse seu batom é bem sexy, mas não é nada prático” ele disse em tom de brincadeira.
“Tarde demais, agora não a nada que eu possa fazer”
“Pode sim. Eu te ajudo a tirar, que tal?”
“Ahhhh não, eu passei o batom especialmente para você. Pensei que tinha gostado, acabou de dizer que é sexy” falei fazendo charminho. Era óbvio que eu sabia a idéia que ele tinha em mente.
“O problema é que eu não me contento mais em apenas olhar, eu preciso sentir. É óbvio que te olhar é como uma terapia, mas agora que te tenho e que posso te tocar, é simplesmente...” ele nem sabia como terminar, parecia não conhecer ainda a palavra mais adequada, e eu também não conhecia.
Estávamos apenas brincando, era óbvio, mas ele disse isso com enorme seriedade, como se já estivesse farto de todo esse tempo desperdiçado. Na realidade, eu tinha uma visão otimista para isso, pensava que nossa historia era assim, com o momento da guerra e depois de paz. Se as coisas foram feitas para ser assim eu não reclamaria, tudo estava perfeito agora.
Mas eu entendia o ponto de vista de Burton, afinal fora ele quem descobrira o que sentia primeiro, fora ele que teve de esperar completamente consciente de tudo. Abracei-lhe para tentar mostrar como eu o compreendia, se consegui eu não sei, mas ele retribuiu o abraço.
“Vamos, tire logo todo esse batom, e faça isso direito” cedi sorrindo.
Ele sorriu de volta e aproximou seu rosto do meu.

A estrada pela qual passávamos era de longe a paisagem mais bela que já havia visto. Como havia dormido o caminho todo na ida, não pude apreciar muito dessa beleza. Mas não estou arrependida de ter dormido, pois se fizesse o contrário teria perdido coisas que agora são algumas das mais importantes de minha vida por cansaço. Não que eu já tenha vivido muito, mas com toda a certeza irei me lembrar disso para sempre; disso e de mais coisas que ainda estão por vir. Minha barriga se remexia de uma forma estranha e boa só de pensar.
Caramba, isso é inacreditável. Estou impressionada com as voltas que a vida consegue dar, quase me deixa tonta. 

5 comentários:

  1. amei *-*
    posta mais, please *-*

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  2. fia, eu vou ter uma tarquicardia se vc não postar mais D:
    to desesperadaaaaaaaaa, morta de curiosidade (:

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  3. Continua, Continua, Continuaaaaaaaaa
    by.:alice m. #suasuperfã.

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  4. continua, continua, continua *-*

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  5. awn awn, desculpa a demora gente, eu tava viajando, aí não deu pra postar, mas obg pela atenção s2

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