domingo, 1 de maio de 2011

Secret Garden | Página 81 | Capítulo 19
















Eu estava suando, deveria ter perdido alguns quilos só de ficar andando de um lado ao outro. Eu deveria ter pego uma roupa elegante, sim, eu deveria. Peguei minha mala e joguei todo o conteúdo dela em cima da cama. Faltava menos de vinte minutos para as oito e eu ainda estava de toalha. Eu fiquei todo esse tempo apenas pensando comigo mesma na banheira, mas fui obrigada a sair, pois a água ficou gelada e meus dedos parecendo uma ameixa de tão enrugados, e também, eu estava morta de fome. Depois que vim para o quarto comi só um biscoito gigante com fibras que tinha gosto de ração de cachorro.
Analisei tudo o que trouxe e peguei um vestido preto. Eu realmente não sabia o que aquele vestido curto estava fazendo ali, eu nunca sairia nesse frio usando isso. Mas eu só iria até o restaurante do hotel, deveria ser em um lugar fechado.
Coloquei o vestido e me olhei no espelho. Eu estava extremamente sem graça apesar do vestido ser um pouco curto e colado – digo pouco, pois não é nada comparado a alguns outros que já usei na minha vida. Vasculhei mais minhas coisas e encontrei um par de meias finas que terminavam com uma renda na coxa, parecia uma lingerie – e deveria ser mesmo, quando eu gosto de algo eu compro mesmo se não for usar da forma mais apropriada – pelo menos ela me protegeria precariamente do frio. Coloquei a meia, e no final das contas as rendas nem apareceram, ficou parecendo que eu estava usando uma meia calça qualquer.
Coloquei um sapato de salto vinho e passei um batom vermelho nos lábios e, de alguma forma, consegui passar a manteiga de cacau por cima – ela ficou manchada de vermelho, mas eu não dava a mínima. Procurei por uma blusa de frio, mas não encontrei nenhuma que ficasse boa com o visual. Na verdade tinha uma que ficaria um pouco grande, mas ficaria ótima: a jaqueta de couro de Burton.
A vesti e senti seu cheiro junto com uma necessidade enorme de encontrá-lo. Estava me sentindo assim desde o segundo em que pisara nesse quarto sem ele – mesmo depois de todo meu momento de reflexão na banheira, eu ainda precisava dele. Fui para o banheiro e passei lápis e rímel. Aproximei-me do espelho para ver melhor e acabei espirrando, quando abri os olhos vários riscos pretos apareceram em minha pálpebra inferior.
“Merda”
Peguei uma toalha e molhei a ponta dela na água da torneira, em seguida passei nas pálpebras na tentativa de tirar aquilo dali. Depois de algum esforço, consegui.
Joguei a toalha no chão e passei a mão no meu cabelo fazendo-o cair de lado. Eu havia o deixado secar naturalmente, pois não tive tempo para usar o secador – mas obviamente esse não era o motivo principal.
Correndo, peguei minha bolsa-carteira, saí do quarto. Chamei o elevador que por sorte estava no meu andar. Chegando ao lobby ainda tinha um dilema a enfrentar: onde era o restaurante?
Perguntei para o carregador de malas enquanto tomava uma golada de ar. Ele pareceu assustado com a forma que o abordei, então indicou o local me olhando de cima a baixo. Fui correndo até lá, mas na porta do restaurante parei.
“Ok, respire e não pareça afobada”
Esperei até que minha respiração voltasse ao normal e entrei no restaurante procurando por ele.
Olhei por todo o local extremamente elegante fingindo calma – pois por dentro eu sentia meu coração querendo saltar para fora de meu corpo – e quando o encontrei ele já tinha o olhar fixo em mim. Meu coração se acelerou mais ainda e torci para que não tivesse um ataque cardíaco ali.
Andei na direção da mesa em que ele estava sentado e quando já estava bem próxima ele se levantou e puxou a cadeira para que me sentasse. Quando ele queria ser um canalha ele sabia mesmo ser um canalha, e quando queria ser um cavalheiro ele também sabia como fazer isso direito.
Sentei-me com os olhos fixos nele e um sorriso nos lábios.
“Gostei da jaqueta” disse ele enquanto se sentava.
Dei uma risada breve. Eu estava tão constrangida, não sabia direito o que fazer. Ele parecia estar bem à vontade e isso não facilitava as coisas. Caramba Alice, é só o Burton, você nunca se sentiu assim na presença dele. Pelo menos não que você tenha percebido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário